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Fernando Alexandre, ministro da Educação, diz que "a consulta pública que está a decorrer no português e em todas as disciplinas é uma primeira fase, absolutamente técnica, que não entrará em vigor no próximo ano letivo, apenas em 27/28" acrescentando que será ainda feita "uma revisão ainda mais profunda em que vamos rever a matriz curricular".
O ministro referiu ainda que José Saramago é "um autor de referência", mas "felizmente Portugal tem muitos".
Na rede social Instagram, a Fundação José Saramago deixou um comunicado lembrando o discurso de José Saramago, em 1998, quando venceu o Nobel da Literatura: "E agora quero também agradecer aos escritores portugueses e de língua portuguesa, aos do passado e aos de agora: é por eles que as nossas literaturas existem, eu sou apenas mais um que a eles se veio juntar.
Na mesma publicação, a Fundação sugere à comissão responsável pela revisão que substitua a conjunção “ou” por “e”, permitindo a inclusão simultânea de Saramago e do escritor Mário de Carvalho no programa.
A instituição, liderada por Pilar del Rio, mulher de José Saramago, termina levantando duas questões: por um lado, quais os fundamentos para esta alteração e por outro, se a revisão poderá estender-se a outros autores do cânone da literatura portuguesa, passando estes a constar apenas como leitura recomendada e não obrigatória.
A proposta de revisão das Aprendizagens Essenciais de Português, conhecida este domingo, 29 de março, prevê a retirada da leitura obrigatória de obras de José Saramago no 12.º ano. Atualmente, os alunos escolhem entre Memorial do Convento e O Ano da Morte de Ricardo Reis.
Com a alteração proposta as escolas deixam de estar vinculadas com as obras, podendo optar por outros autores e obras. O processo de revisão encontra-se em consulta pública até 28 de abril, permitindo que docentes, investigadores, pais e cidadãos em geral apresentem contributos e sugestões antes da implementação das alterações.
*Notícia atualizada com declarações de Fernando Alexandre, ministro da Educação
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