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O secretário da Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., enfrenta uma crescente pressão política e institucional. Depois de semanas de turbulência no seio das principais agências de saúde norte-americanas, mais de mil trabalhadores — entre atuais e antigos funcionários — enviaram uma carta aberta ao responsável, exigindo a sua demissão, diz a CNN.
O documento, também remetido ao Congresso, acusa Kennedy de comprometer a saúde da população e de agir em desrespeito pelas bases da ciência.
A carta surge na sequência de uma crise interna no Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC). A nova diretora da agência, Susan Monarez, foi afastada após apenas algumas semanas em funções, alegadamente por se recusar a aceitar pressões para aprovar novas restrições às vacinas. A sua saída motivou a demissão de quatro altos quadros, aprofundando a instabilidade da instituição. De acordo com testemunhos citados pela CNN, Kennedy terá desempenhado um papel ativo na destituição de Monarez, facto que aumentou o mal-estar entre especialistas de saúde pública.
No texto subscrito por funcionários, acusam-se ainda várias decisões controversas, como a nomeação de "ideólogos políticos" para cargos de relevo na política de vacinação e a revogação de autorizações de uso de emergência das vacinas contra a Covid-19, sem divulgação transparente dos critérios que fundamentaram tais medidas. Para os signatários, estas escolhas minam a confiança da população na ciência e fragilizam a resposta do país a crises sanitárias.
Em reação, Andrew Nixon, diretor de comunicação do HHS, defendeu Kennedy, frisando que o secretário assumiu desde o início que o CDC precisava de uma reforma profunda para recuperar credibilidade internacional. "O compromisso do secretário é com a ciência baseada em evidências. Em apenas sete meses alcançou mais do que qualquer outro responsável da Saúde no combate à epidemia de doenças crónicas e para tornar os Estados Unidos saudáveis novamente", afirmou.
Kennedy, num artigo de opinião no Wall Street Journal, defendeu que a sua liderança está a "restaurar a confiança pública” no CDC, instituição que acusa de ter falhado durante a pandemia devido à "ciência politizada, inércia burocrática e desvio de missão".
A carta desta semana traz um ultimato. "Caso recuse demitir-se, pedimos ao presidente e ao Congresso que nomeiem um novo secretário da Saúde, alguém cuja experiência e qualificações assegurem políticas baseadas em ciência independente e revista por pares". Kennedy terá de responder brevemente ao escrutínio público: está agendada para quinta-feira a sua audição no Senado, em sessão dedicada à agenda de saúde da presidência para 2026.
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