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Morreu esta quinta-feira António Lobo Antunes, aos 83 anos, o escritor é um dos nomes maiores da cultura portuguesa e marcou gerações. Francisco Mota Saraiva, cuja escrita chegou a ser comparada à do psiquiatra que trocou a medicina pelas letras, reage em nota enviada ao 24notícias começando por dizer que "é estranha a forma como se recebe a tristeza por uma notícia de jornal como se fosse o telefonema de um amigo a dizer-nos que morreu um dos nossos. "

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Francisco Mota Saraiva, autor de Aqui Onde Canto e Ardo e do livro granjeado com o Prémio Saramago, Morramos ao menos no porto, sempre indicou António Lobo Antunes como uma das suas referências literárias e, no dia sua morte, lembra-o como um amigo ainda que o autor não o soubesse. "Lobo Antunes não sabia (não poderia saber!), mas eu era seu amigo. Das duas ou três vezes que estivemos juntos não pude dizer-lho; mal tive coragem para lhe apertar a mão, menos ainda para lhe pedir uma fotografia, sequer partilharmos um cigarro."

Justifica a falta de "coragem" com a grandeza de Lobo Antunes. "Diante dos monstros a gente engasga-se, aninha-se, finda-se na sua pequenez. E se eu era amigo do monstro embora não lhe pudesse chegar."

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Questionado pelo 24notícias aconselha o livro "Sôbolos rios que vão" para quem nunca leu António Lobo Antunes e queira agora começar, refere a obra escrita "a partir de um verso do Camões", que caracteriza como "talvez o melhor exercício de memória, escrito entre a vida e a morte, a partir do olhar da doença". Contudo ressalva, "acho difícil escolher apenas um considerando que a obra dele é una, como quem escreve a biografia de um só deus".

Termina referindo que "há três dias muito felizes na literatura portuguesa: o da publicação dos Lusíadas, o da atribuição do Nobel a Saramago e o do dia do nascimento de António Lobo Antunes. E, por isso, hoje não pode ser um dia triste porque quando se nasce é para sempre, e António Lobo Antunes é para sempre. Nós somos apenas as coisas aqui em baixo. As minhas sinceras condolências à família."

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