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A manifestação convocada por grupos de extrema-direita em Ceuta, na noite de sábado, acabou ontem por ser amplamente contestada por residentes da cidade autónoma espanhola, que saíram à rua para defender a convivência entre comunidades e rejeitaram a instrumentalização da crise migratória.

O protesto foi convocado na Praça dos Reis, poucos dias depois da entrada massiva de dezenas de milhares de migrantes provenientes de Marrocos. Entre os participantes estiveram o líder do partido Se Acabó la Fiesta, Alvise Pérez, e o agitador de extrema-direita Vito Quiles, mas a sua presença gerou uma resposta imediata de centenas de ceutíes, que os receberam com palavras de ordem como "Fora fascistas da nossa cidade" e "Ceuta unida, nunca dividida".

A concentração acabou marcada por momentos de tensão entre os dois grupos, obrigando à intervenção das forças de segurança para evitar confrontos. Apesar do ambiente tenso, não foram registados incidentes graves.

Entre as vozes mais críticas esteve Abdelah Mustafá, presidente da associação de moradores La Reina, que acusou os promotores do protesto de tentarem aproveitar a situação para alimentar o discurso de ódio.

"São populistas e islamófobos. Em Ceuta, cristãos e muçulmanos sempre viveram juntos e não vamos permitir que utilizem a nossa cidade para semear a divisão", disse.

Também vários jovens participaram na contra-manifestação, defendendo que a resposta à crise migratória não pode passar pela estigmatização dos migrantes nem pela promoção de discursos xenófobos.

A manifestação decorreu numa altura em que Ceuta continua a recuperar da maior vaga migratória da sua história recente. Embora a maioria dos migrantes tenha entretanto regressado a Marrocos, milhares de pessoas permanecem ainda na cidade, enquanto as autoridades espanholas mantêm um forte dispositivo policial e militar e prosseguem as operações de repatriamento e assistência humanitária.

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