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O incêndio de Vouzela deixou esta sexta-feira dois feridos graves, um com queimaduras de segundo e terceiro grau e outro com traumatismo craniano, disse à Lusa Fonte da Proteção Civil.
"Um homem de 55 anos ficou com queimaduras graves" quando tentava combater o fogo e um outro, de "34 anos, sofreu um traumatismo craniano grave" ao cair de uma carrinha particular que transportava água para combater o incêndio", disse à Lusa o comandante Pedro Araújo da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).
O presidente da Câmara de Vouzela, Carlos Oliveira, explicou ao Observador que o cenário está bastante imprevisível sobretudo devido ao vento forte que se faz sentir no concelho na manhã deste sábado. O autarca deu conta de “várias frentes ativas” a “lavrar com intensidade” e revelou que durante a noite não foi necessário evacuar localidades, mas ressalva que esse cenário não está fora de questão.
O Presidente da Câmara de Vouzela pede também mais meios de combate ao incêndio, ativo há mais de 48 horas e que se alastrou entretanto a outros três concelhos, e admite a possibilidade de o incêndio ter tido origem criminosa, por ter começado de madrugada.
O fogo, que deflagrou às 03h04 de quinta-feira, em Tourelhe, na freguesia de Cambra, alastrou aos concelhos de Oliveira de Frades, Tondela e Águeda e continua ativo há mais de 48 horas.
Ao final da tarde deste sábado, as chamas chegaram à aldeia de Daires, na freguesia do Guardão, no Caramulo, confirmou a presidente da Câmara de Tondela, Carla Antunes Borges. A autarca explicou que o incêndio continua a lavrar com intensidade na encosta da Serra do Caramulo, com várias frentes ativas e sem estarem controladas, mas adiantou que não foi necessário evacuar a aldeia.
Segundo a presidente da autarquia, as chamas continuam também a ameaçar várias povoações das freguesias de São João do Monte e do Guardão. Em Vale do Lobo e Abóboda registam-se alguns reacendimentos, embora a situação esteja, para já, sob controlo. Até ao momento, não há registo de feridos ou de bens destruídos no concelho de Tondela.
O incêndio destruiu também uma fábrica de componentes de madeira em Vouzela, produtora de biomassa para produção de energia, bem como aviários e animais.
Segundo o Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais (EFFIS), o incêndio já consumiu mais de 12.160 hectares e continuava em expansão no início deste sábado.
Ao início da tarde, a Proteção Civil tinha mobilizados para este incêndio 1.168 operacionais, 382 veículos e 12 meios aéreos. Já pelas 21h15, o dispositivo tinha sido reforçado para 1.269 operacionais e 425 veículos.
Pelas 10h, teve início, na zona de Mangualde, distrito de Viseu, um incêndio e segundo o responsável da Proteção Civil, pelas 11h30, estavam mobilizados no combate 100 operacionais, 20 meios terrestres e quatro meios aéreos.
“Já está, neste momento, completamente dominado. Tivemos o apoio de meios terrestres e aéreos”, precisou o presidente da Câmara de Mangualde, Marco Almeida, pelas 13h00.
O incêndio que deflagrou na quinta-feira em Monte Frelães, concelho de Barcelos (distrito de Braga), entrou em resolução às 00:35.
Um incêndio em Setúbal, que teve origem numa viatura e alastrou a uma zona de mato, foi dado como dominado hoje à 01:00.
Quase todo o território de Portugal continental enfrenta perigo máximo ou muito elevado de incêndio, com exceção de meia dúzia de municípios do litoral, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O perigo máximo abrange praticamente todo o interior Norte e Centro, bem como dezenas de concelhos dos distritos de Faro, Beja, Leiria, Coimbra, Aveiro e Porto.
Já o nível muito elevado estende-se a quase todo o Alentejo e a mais de 60 concelhos dos distritos de Faro, Lisboa, Setúbal, Leiria, Santarém, Coimbra, Aveiro, Porto, Braga, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu.
O IPMA colocou ainda oito concelhos dos distritos de Faro, Setúbal e Aveiro sob perigo elevado de incêndio, após o Governo ter declarado a situação de alerta devido às altas temperaturas previstas até segunda-feira e de ter emitido despachos de exceção que proíbem a utilização de maquinaria em atividades agrícolas.
Também a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) elevou, na quarta-feira, o estado de prontidão especial para o nível III (intermédio/alto), perante o previsível "agravamento muito significativo" do perigo de incêndios rurais.
O dispositivo de combate a incêndios rurais foi igualmente reforçado para a sua capacidade máxima, numa altura em que a área ardida e o número de incêndios duplicaram face ao mesmo período de 2025.
*Artigo atualizado às 21h59*
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