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Viktor Orbán chegou ao poder em 2010 com uma "super maioria" e saiu dele da mesma forma. O primeiro-ministro húngaro, o líder mais autocrático da União Europeia e aliado próximo tanto de Donald Trump como de Vladimir Putin, sofreu ontem, dia 12 de abril, uma derrota esmagadora que enviou ondas de choque de Washington a Moscovo. Com quase todos os votos contados, o adversário Péter Magyar encaminhava-se para conquistar 138 dos 199 lugares do parlamento. O Fidesz de Orbán ficou reduzido a 55.
Orbán concedeu a derrota com lágrimas nos olhos, escreve o jornal Politico. "Seja como for que tenha resultado, serviremos o nosso país e a nação húngara a partir da oposição", disse. A uma hora de distância, uma multidão em delírio aguardava Magyar junto ao Danúbio. O vencedor subiu ao palco a segurar teatralmente uma bandeira húngara, enquanto as notas de "My Way" de Frank Sinatra enchiam o ar e os apoiantes descortiçavam garrafas de champanhe. "Juntos, libertámos a Hungria", declarou.
A magnitude da vitória não é apenas simbólica. Com uma "super maioria" de dois terços, Magyar tem poderes para alterar a constituição e desmontar os pilares da "democracia iliberal" de Orbán, desde o controlo sobre a magistratura e os órgãos de comunicação social até à rede de empresas públicas gerida por leais ao antigo primeiro-ministro. No discurso da vitória, Magyar exigiu a demissão imediata dos presidentes do tribunal supremo, do conselho da magistratura, do tribunal de contas, da autoridade da concorrência e da autoridade dos media, bem como do Presidente da República, Tamás Sulyok.
A multidão entoava "Europa, Europa" enquanto "We Are the Champions" soava pelas ruas de Budapeste. Magyar anunciou que a sua primeira visita oficial no estrangeiro será à Polónia, a segunda à Áustria e a terceira a Bruxelas, "para ir buscar os fundos que os húngaros merecem", numa referência direta aos milhares de milhões de euros da UE congelados em virtude da erosão do Estado de direito sob Orbán.
Um alívio para Bruxelas, um golpe para Trump e Putin
A saída de Orbán representa um enorme alívio para a União Europeia, cuja arquitetura institucional o líder húngaro explorou durante anos para bloquear decisões críticas. Em Dezembro de 2025, Orbán vetou um empréstimo de 90 mil milhões de euros a Kiev, que ele próprio tinha aprovado, depois de a Ucrânia ter suspendido o trânsito de petróleo russo pelo oleoduto Druzhba, o que Budapeste interpretou como uma tentativa de influenciar as eleições. A Comissão Europeia congratulou-se de imediato: "O coração da Europa bate mais forte na Hungria esta noite", declarou a presidente, Ursula von der Leyen.
Para o movimento MAGA de Donald Trump, a derrota é igualmente dolorosa. O presidente norte-americano fez cinco declarações públicas de apoio a Orbán nos últimos seis meses, e o vice-presidente JD Vance deslocou-se a Budapeste a 7 de Abril para participar num comício do Fidesz, onde prometeu que o húngaro ganharia. O secretário de Estado Marco Rubio também visitou a capital húngara. Não foi suficiente para contrariar a crescente insatisfação pública com a economia enfraquecida e a corrupção sistémica associada ao regime.
Do lado de Moscovo, a perda não é menos significativa. A imprensa húngara e internacional revelou nos últimos meses as estreitas ligações entre Budapeste e o Kremlin, incluindo telefonemas em que o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjártó, terá prometido ao seu homólogo russo Sergey Lavrov o acesso a documentos confidenciais das deliberações europeias, através da embaixada em Moscovo.
A juventude húngara foi um dos fatores decisivos desta noite. Sondagens anteriores ao voto indicavam que até dois terços dos húngaros com menos de 30 anos queriam ver Orbán partir. Grandes concertos-protesto em Budapeste reuniram centenas de milhares de jovens nas semanas anteriores às eleições, muitos dos quais afirmaram que emigrariam se o Fidesz vencesse mais um mandato. Magyar agradeceu-lhes explicitamente no discurso da vitória: "Obrigado por terem trazido de volta a esperança, a esperança na mudança."
O papel dos jornalistas independentes foi igualmente determinante. Apesar de 80 por cento dos meios de comunicação húngaros estarem sob influência do Fidesz, repórteres independentes conseguiram revelar como o governo de Orbán recorreu aos serviços secretos para sabotar a oposição e obtiveram detalhes dos contactos telefónicos entre Budapeste e o Kremlin.
A nova maioria tem agora poderes para desmantelar as estruturas que mantêm esse monopólio mediático.
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