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Seis pessoas em situação de sem-abrigo que vivem há vários anos na antiga Escola Industrial Afonso Domingues, em Marvila, foram informadas pela Câmara Municipal de Lisboa de que teriam de abandonar o espaço até ao final de julho. O edifício, que estava devoluto há vários anos, foi escolhido para receber a edição deste ano do Festival Iminente, marcado para setembro, levantando críticas sobre a possibilidade de a realização do evento implicar a saída forçada de quem ali encontrou abrigo.

A notícia foi inicialmente revelada pelo jornal Observador e depois da publicação, a Câmara Municipal de Lisboa e a organização do Festival Iminente avançaram com contactos para encontrar uma solução. O festival rejeitou desde o início qualquer ideia de expulsão e garantiu que a realização do evento não dependia da saída das pessoas que vivem na antiga escola.

Os relatos das pessoas que permanecem no local colocaram em debate a forma como o processo estava a ser conduzido e a existência de alternativas antes de uma eventual saída, como revelou o jornal Observador.

Festival garante que nunca pediu saída dos moradores

Logo desde início, o Festival Iminente rejeitou qualquer cenário de expulsão e afirmou que a presença das pessoas em situação de sem-abrigo no antigo estabelecimento de ensino nunca foi vista como um obstáculo à realização do evento.

A organização explicou que, desde que foi escolhido o espaço para a edição deste ano, tinha conhecimento da existência de pessoas a viver no local e que essa realidade foi tida em conta no planeamento do festival.

"Desde o primeiro momento deixámos claro que ninguém deveria sair daquele espaço por causa do Iminente sem existir uma alternativa digna e uma decisão informada por parte de cada pessoa", afirmou a organização ao 24notícias.

O festival sublinhou ainda que o evento foi pensado para ocupar apenas as zonas necessárias e que existe margem para coexistência durante os dias do certame.

"A realização do festival não depende da desocupação do edifício. O espaço é suficientemente amplo para que as pessoas possam continuar a ser acompanhadas e para que o evento decorra sem interferir com as áreas onde vivem", acrescentou.

A organização recordou também que a antiga escola esteve abandonada durante vários anos e que a situação habitacional das pessoas que ali permanecem reflete um problema mais amplo da cidade.

"Não faria sentido celebrar dez anos de um projeto que fala sobre Lisboa, comunidades e inclusão deixando para trás pessoas que vivem uma situação de grande vulnerabilidade", indicou.

Câmara diz que acompanha cada caso individualmente

A Câmara Municipal de Lisboa garantiu que o processo está a ser acompanhado pelos serviços sociais municipais e rejeitou a ideia de uma retirada imediata das pessoas sem resposta alternativa.

A autarquia explicou que foi apresentada uma proposta de integração numa resposta de alojamento apoiado na comunidade, com unidades habitacionais individuais e acompanhamento técnico regular.

"O município tem acompanhado estas pessoas de forma continuada e individualizada, procurando encontrar soluções adequadas para cada situação", afirmou a Câmara ao 24notícias.

Segundo a autarquia, as respostas apresentadas não correspondem a um alojamento temporário sem acompanhamento, mas a uma solução integrada com vista à estabilidade habitacional e à autonomia.

"A decisão final cabe sempre às próprias pessoas. O objetivo é apresentar alternativas que garantam melhores condições de vida e respeitem o percurso de cada uma", acrescentou.

A Câmara recordou ainda que o edifício "não possui condições adequadas de habitabilidade" e que a intervenção dos serviços sociais pretende garantir "uma resposta mais segura e estruturada".

Associação acompanha processo e aguarda decisões

A Associação Vida Autónoma, ligada ao apoio a pessoas em situação de sem-abrigo, confirmou que está a acompanhar a situação e que tem mantido contacto com as pessoas que permanecem na antiga escola, bem como com entidades envolvidas no processo.

A organização considera que o ponto essencial é garantir que qualquer mudança seja feita com acompanhamento e sem pressão sobre quem se encontra numa situação vulnerável.

"Estamos a par do processo e temos acompanhado a evolução da situação junto das pessoas envolvidas e das entidades responsáveis. O mais importante é que qualquer decisão seja tomada com informação, acompanhamento e respeito pela vontade de cada pessoa", explicou a associação.

A entidade acrescentou que a aceitação das soluções apresentadas pela Câmara dependerá da avaliação individual de cada caso.

"Cada pessoa tem uma história diferente e uma relação diferente com as respostas existentes. É fundamental que as alternativas sejam analisadas caso a caso e que ninguém seja colocado numa situação de maior fragilidade", afirmou.

Neste momento, algumas das pessoas que vivem na antiga escola já conheceram as soluções propostas pela autarquia, estando ainda a decorrer o processo de decisão.

O Festival Iminente realiza-se entre 17 e 20 de setembro na antiga Escola Industrial Afonso Domingues, em Marvila, num espaço que esteve abandonado durante cerca de 16 anos e que está ligado ao antigo projeto da Terceira Travessia do Tejo.

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