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Professores e sindicatos acusam o ministro da Educação, Fernando Alexandre, de fugir às responsabilidades políticas. Em causa está a decisão do Ministério da Educação anunciada ontem, 11 de agosto, de abrir um inquérito às escolas que enviaram exames para classificação depois da recolha formal e que submeteram pedidos de reapreciação tardiamente.

“Esta parece ser uma imagem de marca do ministro que é empurrar, passar responsabilidades, procurar fugir às responsabilidades, por uma medida que resulta em decisões e falhas da tutela, e este pedido de inquérito, de certa forma, é uma forma de desviar a atenção do caos que marcou todo o processo”, disse José Feliciano da Costa, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof).

De acordo com o Observador, que cita a Lusa, o sindicalista acusa Fernando Alexandre de querer “encontrar bodes expiatórios” mesmo depois de o governante ter assumido que as falhas na digitalização dos exames originaram problemas nas correções das provas.

José Feliciano da Costa garantiu que “as escolas e as pessoas fizeram tudo o que lhes competia e até mais do que isso” e debaixo de uma “enorme pressão”. Acusa o ministro de ter avançado com a correção digital com “muito amadorismo”: não havia garantias de que o processo corresse bem e não havia um plano e contigência.

A Fenprof afirmou que vai prestar todo o apoio jurídico e político às escolas e professores. Além disto, garantiu que vai impedir quaisquer sanções e que, para isso, recorrerá a todas as instâncias necessárias.

Também o Movimento Escola Pública (MEP) se mostrou indignado com o anúncio do inquérito. Considera que a decisão do Ministério da Educação é “uma falta de respeito para com os professores e com as escolas”, que garantiram que o caos não fosse maior.

“Entendemos que há uma posição política. Portanto, Fernando Alexandre tem perfeita consciência de quem é o responsável por todo este caos”, afirmou Cristina Mota, do MEP, acrescentado que está é “mais uma” posição assumida pelo ministro.

O Movimento lembrou que muitos alunos só tiveram acesso às provas e classificações depois da afixação dos resultados oficiais. Por isso, considera normal que as escolas só tivessem condições para submeter os pedidos de reapreciação mais tarde.

Cristina Mota defendeu ainda que se realize uma comissão parlamentar de inquérito em setembro, para apurar as responsabilidades das falhas no processo de correção digital dos exames na 1.ª fase.

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