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A Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue (FEPODABES) manifestou esta quarta-feira, 12 de agosto, preocupação com situações que considera poderem representar uma desigualdade no tratamento dos dadores de sangue, nomeadamente no acesso à campanha MOVY JOVEM. A organização questiona se o local onde é realizada a dádiva pode determinar o acesso às mesmas condições ou benefícios.
Num comunicado, a FEPODABES defende que todos os dadores devem ser tratados com o mesmo respeito, consideração e igualdade de oportunidades, independentemente da idade ou do local onde realizam a dádiva.
A federação considera importante a criação e valorização de incentivos destinados a promover a dádiva benévola de sangue entre pessoas saudáveis dos 17 aos 70 anos, mas sustenta que essas iniciativas devem respeitar os princípios da igualdade, equidade, transparência e não discriminação.
Neste caso, a campanha em causa permite que jovens dos 18 aos 30 anos recebam noite numa Pousada da Juventude por doar sangue.
“Não defendemos privilégios para uns em prejuízo de outros. Defendemos que todos os dadores sejam tratados com a mesma dignidade e o mesmo respeito”, afirma Alberto Mota, presidente da FEPODABES.
Segundo informação transmitida à federação, haverá jovens que, apesar de se deslocarem a postos de colheita de sangue, incluindo hospitais e sessões móveis, não estarão a ter acesso às mesmas condições ou benefícios associados à campanha MOVY JOVEM.
Para a FEPODABES, a situação representa uma possível diferença de tratamento entre jovens que realizam o mesmo gesto voluntário e altruísta: dar sangue.
A organização considera a questão particularmente relevante por envolver jovens que estão a entrar no movimento da dádiva de sangue e que manifestam vontade de continuar ligados à causa.
“Se queremos captar, motivar e fidelizar novos dadores, não podemos permitir que um jovem que realiza a sua primeira dádiva seja confrontado com falta de informação, ausência de resposta ou procedimentos pouco claros”, afirma Alberto Mota.
A FEPODABES questiona, em particular, a existência de diferenças entre os jovens que dão sangue diretamente nos Centros de Sangue e Transplantação de Lisboa, Coimbra e Porto e aqueles que realizam a dádiva em hospitais, sessões móveis ou outros postos de colheita.
Para a federação, uma diferenciação que não seja justificada é “inaceitável”. A organização defende que o local onde um cidadão dá sangue não deve determinar o valor do gesto solidário nem condicionar o acesso a uma campanha destinada aos dadores.
“Não estamos a pedir privilégios. Estamos a exigir igualdade”, afirma a FEPODABES.
A federação alerta ainda que situações de falta de informação, ausência de resposta ou tratamento diferenciado podem ter consequências na captação e fidelização de novos dadores.
Segundo a organização, um jovem que dá sangue pela primeira vez deve ser acolhido, esclarecido, valorizado e incentivado a regressar, não devendo ser confrontado com dúvidas, procedimentos pouco claros ou diferenças de tratamento em função do local onde realizou a dádiva.
A FEPODABES considera que a dádiva de sangue deve ser promovida com respeito, igualdade, transparência e organização.
A organização questiona também a responsabilidade institucional do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), defendendo que a eventual existência de uma parceria ou acordo com outra entidade para concretizar iniciativas ou incentivos “não pode afastar” essa responsabilidade enquanto entidade pública com responsabilidades no sistema nacional da dádiva de sangue.
A FEPODABES afirma ainda que o silêncio do Conselho Diretivo do IPST perante estas questões não contribui para esclarecer os dadores nem para preservar a confiança entre o Instituto, o movimento associativo e as pessoas que voluntariamente dão sangue.
“A confiança constrói-se com transparência, diálogo e respeito. Quando não existem respostas e a transparência desaparece, essa confiança fica seriamente comprometida. Os dadores de sangue merecem respostas, e a FEPODABES não deixará de as exigir”, acrescenta Alberto Mota.
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