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Segundo a BBC, a família de Stephen Ogilvy, o homem gravemente ferido num ataque à faca ocorrido na segunda-feira à noite em Belfast, apelou à população para rejeitar a violência e privilegiar apenas formas pacíficas de protesto.

Ogilvy sofreu ferimentos graves, tendo perdido o olho esquerdo, sofrido danos no olho direito e lesões no pescoço e nas costas. O homem permanece hospitalizado. A família agradeceu também às pessoas que intervieram durante o ataque e pediu que o incidente não fosse utilizado para dividir comunidades ou fomentar hostilidade.

O suspeito, identificado como Hadi Alodid, de 30 anos, foi acusado de tentativa de homicídio, ameaças de morte a um radiologista do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS) e posse de uma faca. O tribunal determinou a sua prisão preventiva por quatro semanas. A polícia indicou anteriormente que o homem, natural do Sudão, entrou no Reino Unido em 2023, tendo obtido estatuto de refugiado nesse mesmo ano.

Na sequência do ataque, registaram-se distúrbios em várias zonas de Belfast. A Polícia da Irlanda do Norte (PSNI) anunciou o reforço do número de agentes destacados para a cidade e confirmou que já foram efetuadas detenções e apresentadas acusações relacionadas com os protestos, acrescentando que poderão seguir-se novas detenções.

Diversas figuras públicas e políticas condenaram os incidentes. O chefe da PSNI, Jon Boutcher, classificou a violência como um insulto à vítima e pediu que o sistema judicial fosse deixado agir. Também o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, considerou os acontecimentos inaceitáveis, enquanto a primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O'Neill, condenou os envolvidos. A vice-primeira-ministra Emma Little-Pengelly afirmou que é errado dirigir a revolta causada pelas ações de uma pessoa contra indivíduos sem qualquer ligação ao caso.

As autoridades implementaram ainda medidas adicionais para evitar novos confrontos. A empresa de transportes públicos Translink cancelou os serviços de autocarro e comboio durante a noite devido à previsão de novos protestos.

A BBC refere igualmente que a situação tem provocado preocupação entre comunidades imigrantes e minorias étnicas. O presidente do Centro Comunitário Indiano de Belfast, Satyavir Singhal, afirmou que aconselhou membros da comunidade a permanecerem em casa sempre que possível. Um residente de origem indiana relatou à BBC ter decidido abandonar a Irlanda do Norte após os acontecimentos, descrevendo a situação como semelhante a uma zona de guerra.

Entretanto, a embaixada do Sudão em Londres condenou o ataque à faca, classificando-o como hediondo, e manifestou solidariedade para com a vítima e a sua família. Num comunicado citado pela BBC, a representação diplomática sublinhou que os atos de um indivíduo não devem ser atribuídos a toda uma comunidade.

As autoridades policiais alertaram também para a circulação, nas redes sociais e aplicações de mensagens, de moradas de habitações alegadamente associadas a minorias étnicas. A PSNI classificou essa prática como totalmente inaceitável e alertou que poderá constituir infração criminal, por colocar pessoas em risco.

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