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A atual situação geopolítica e económica a nível internacional – Ucrânia e Médio Oriente – não impactará no efervescente mercado imobiliário em Portugal. Esta é a expectativa da Engel & Völkers, consultora imobiliária especializada no mercado de mediação de habitação premium. “Como marca, não gostamos muito de dar opiniões geopolíticas”, salvaguardou Daniela Rebouta, diretora de vendas da Engel & Völkers Lisboa, Oeiras e Setúbal.
“Mas posso dizer que o segmento imobiliário, principalmente o de luxo, no final do dia, acabou sempre por se adaptar e temos conseguido sempre fazer vendas”, sublinhou à margem da apresentação do Market Report 2025-2026. “O mercado imobiliário é muito resiliente, tem-se adaptado a todas as situações nestes últimos 10 anos, crises políticas nacionais, internacionais”, realçou, por sua vez, Margarita Oltra, gestora regional da consultora em Portugal.
“Há sempre um padrão inicial, mas após dois, três meses, as pessoas retomam a vida e as suas decisões. Não temos a bola de cristal, mas confiamos que o segmento alto, normalmente, é mais resiliente”, fixou a responsável, uma resiliência que encontrou paralelo a nível doméstico. “Fomos adaptando-nos a todas as alterações que os vários governos fizeram, seja dos Visa Gold ou residente habitual”, destacou ainda.
8,9 mil milhões de euros em 2025
O estudo, realizado em parceria com a Instituto de Marketing Research, apresentado na sede da imobiliária, em Lisboa, analisa as transações imobiliárias intermediadas pela consultora de origem alemã nas regiões onde opera em território nacional – Braga, Guimarães, Porto, Lisboa, Oeiras, Cascais, Estoril, Sintra, Comporta, Lagos, Portimão, Albufeira, Carvoeiro, Vilamoura, Faro e Tavira
No segundo trimestre de 2025, as transações cresceram “15,5%” e o volume de investimento ficou acima de “8,9 mil milhões de euros”, em operações realizadas por famílias.
O preço da habitação manteve o crescimento homólogo de “17,7%”, no terceiro trimestre de 2025, acrescentou Daniela Rebouta, “um dos valores mais elevados dos últimos anos”, frisou.
Nos últimos anos, há “bastante mais procura (de habitação) do que existe” no mercado, expressou, défice esse referido no Boletim Económico do Banco de Portugal (dezembro de 2025), no qual se estima que, entre 2021 e 20224, a procura tenha superado a oferta em cerca de “14 mil casas por ano”, identificou a mediadora. Tal discrepância, resulta em pressão sobre os preços, sobretudo, nas áreas metropolitanas e nas zonas costeiras do país.
A oferta insuficiente de habitação contribui para a existência de “diferenças de valorização entre regiões”, criando uma “polarização entre mercados premium e mercados mais acessíveis”, lê-se na nota de imprensa.
O estudo da imobiliária refere ainda que apesar do “licenciamento de novos projetos” ter “apresentado sinais positivos”, um aumento de “cerca de 10% nos primeiros meses de 2025, “os ciclos longos de construção” e “a escassez de mão-de-obra”, continuam a “limitar a capacidade de resposta do mercado”, cita a empresa, em comunicado.
Paralelamente, “não existem muitos imóveis para vender. Principalmente, no primeiro trimestre de 2026, há uma grande quebra a nível de angariações”, constatou Daniela Rebouta.
O preço do metro quadrado: da Liga dos Campeões no Triângulo Dourado algarvio a Braga
Nacionalidades à parte, vamos a preços, a norte, Braga (1.704€/m2) ou Guimarães (1.728€/m²), estão na base da pirâmide. Em Cascais e Estoril, sobe para 5.591€/m². A Linha está a meio da tabela do valor de aquisição, cuja liderança mora numa reta de 20 quilómetros, no Algarve: 13.256€/m², na Quinta do Lago, 9.252€/m², em Vale do Lobo e 7.864€/m², em Vilamoura.
Quase dois mil euros por m2 separam as duas margens do Rio Douro, entre o Porto (4.284€/m²) e Vila Nova de Gaia (2.607€/m²).
Na região Oeste, o preço médio situa-se nos 3.103€/m², ao nível de Lisboa (3.215€/m²), Oeiras (3.117€/m²), Sintra (3.164€/m²) e Setúbal (3.115€/m²). No Alentejo, a chique Comporta apresentou valores médios na ordem dos 4.265€/m².
No litoral algarvio, o principal mercado de luxo em Portugal, se o Triângulo Dourado Quinta do Lago, Vale do Lobo e Vilamoura, lidera a Liga de Campeões do setor imobiliário, Lagos (4.500€/m²) sobressai na Liga Europa, acima de Portimão (2.619€/m²), Tavira (2.997€/m²) e Faro (3.115€/m²).
Em relação às vendas, a cidade Berço, Guimarães e a Invicta, Porto, não acompanharam a subida de transações onde a E&V vende casas. O crescimento de vendas não significa, contudo, subida de preços, registando-se, mesmo, uma queda no preço médio em Braga, Lisboa, Oeiras, Setúbal, Sintra, Comporta, Portimão, Oeste e Albufeira.
A explicação está na existência de outras ofertas de habitação mais acessível em termos de preço no portfólio da consultora que opera no mercado premium.
A título de exemplo, a descida do preço médio na capital, mais de 25%, reflete o “impacto das recentes medidas governamentais de apoio ao crédito habitação para jovens”, pode ler-se no relatório, apoios que “estimularam a procura em segmentos de preços mais acessíveis”, decifra.
Ponto pagamento e as alternativas Gaia e Setúbal
No Raio-X às aquisições imobiliárias concretizadas dentro das paredes da consultora que opera em Portugal desde 1996, Daniela Rebouta, diretora-geral e Margarita Oltra, Regional Manager, destacam algumas curiosidades.
Em Braga, o mercado consolidado como “polo tecnológico e universitário”, há “procura internacional americana e Brasil”. A motivação da compra divide-se em “50% procuram a habitação própria permanente e o restante entre a segunda habitação ou investimento”, sublinha Margarita Oltra.
No Minho, na base das razões de compra, está “50% habitação própria permanente, 30% para segunda habitação, 20% para investimento puro”, descreve. “Poucos dos nossos clientes recorrem a crédito”, anunciou.
Comprar sem pedir ao banco é, também, característico no Porto, cidade onde “73%” é “comprador nacional” e cujo investimento em infraestruturas e transportes desvia o tradicional investimento da Baixa para novas zonas de “Paranhos, Antas e Boavista”.
As infraestruturas beneficiam a vizinha Gaia, “uma das zonas do país com mais dinamismo e maior crescimento nestes últimos anos”, atestou.
Descendo a costa, de Canidelo à Madalena, transformou-se “num corredor residencial de luxo” atraindo famílias e investidores internacionais. “75% compra para habitação própria” e regista-se “maior acesso ao crédito”, revelou a gestora regional.
Dinamismo no Oeste e os novos “fogos” em Portimão e Sintra
O Oeste, “é a segunda zona com mais crescimento e dinamismo do país”, vestindo-se de alternativa a quem antes vivia em Lisboa. Mas não só.
Os nómadas digitais, que “começaram com o arrendamento e começaram a comprar” enamoraram-se igualmente pela região. “Não olham para as cidades da mesma forma que nós olhamos, nem têm a necessidade de se deslocar à capital e escolhem o sítio onde há qualidade de vida”, especificou Margarita Oltra.
Em Cascais-Estoril, “62,5%” dos compradores “não recorre a crédito”. Os capitais próprios que dispõe levam-nos a uma compra “maioritariamente residencial”, para “habitação própria (75%)” e “alguma segunda residência”, detalha.
Na Linha de Sintra, a gestora salientou o “aumento muito considerável” do número de licenciamentos. “45%, em 2024” que acumula “mais 11%”, em 2025, prevendo-se “nos próximos 2 a 3 anos muito produto novo no mercado”, antecipa.
Esse crescimento de casas disponíveis no mercado encontra paralelo em Portimão. “Houve um boom no licenciamento, cresceu mais de 86,2%, o que indica uma forte aposta no investimento nesta zona, sobretudo para o arrendamento turístico”, contou.
O ultra-luxo na Comporta e Lisboa
A Comporta é um “mercado de segunda habitação, de luxo, com uma forte procura internacional”, embora mãos portuguesas, sobretudo de Lisboa, também assinem contratos de compra, muitos dos quais “em planta”.
“É um mercado de ultra-luxo” onde se assiste a uma tendência de “imobiliário de marca” e ao estabelecimento de “várias marcas internacionais reconhecidas”, como sejam a “Six Senses, Costa Terra ou JNcQUOI ”, exemplificou.
Por fim, Lisboa. A subida de preços levou os portugueses a venderam o “apartamento” na capital e trocarem por “uma moradia” em Setúbal ou mudaram-se para a Margem Sul, em especial, “reformados”, contou Daniela Rebouta.
A diretora de vendas destacou, durante a apresentação do relatório anual, a previsão de animação do mercado para 2026, “tanto no segmento premium, como no segmento para jovens, em que as compras decorrem dos benefícios fiscais”, salientou.
“Conseguimos ver desde o início do ano que (os preços) vão continuar a subir, mas de uma forma mais moderada. E há regiões que não vão subir tanto”, finalizou.
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