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A publicação gerou uma onda de críticas públicas e políticas, avançou o The Guardian. O cantor Neil Young anunciou que deixaria de utilizar o Facebook para qualquer atividade profissional, classificando como “inaceitável” a possibilidade de chatbots interagirem desta forma com menores.

No plano político, o senador republicano Josh Hawley abriu uma investigação para apurar se os produtos de inteligência artificial da Meta “facilitam a exploração, a fraude ou outros crimes contra crianças” e se a empresa enganou o público ou reguladores sobre as suas medidas de segurança. A senadora Marsha Blackburn apoiou a iniciativa, enquanto o democrata Ron Wyden considerou as práticas “profundamente perturbadoras e erradas”, defendendo que a proteção legal concedida às plataformas pela secção 230 não deveria abranger conteúdos gerados por IA.

A Meta confirmou a autenticidade do documento de 200 páginas, intitulado GenAI: Content Risk Standards, mas afirmou que removeu as passagens mais polémicas após receber questões da imprensa. O documento, aprovado por equipas jurídicas, de políticas públicas e de engenharia, definia comportamentos considerados aceitáveis para os chatbots, mesmo reconhecendo que não representavam “a forma ideal ou preferível” de resposta.

Entre os exemplos mais controversos, a política admitia que um chatbot poderia dizer a uma criança de oito anos, sem camisa, que “cada centímetro de ti é uma obra-prima – um tesouro que prezo profundamente”, embora proibisse descrições que apresentassem menores como sexualmente desejáveis.

As normas também abordavam limites quanto a discurso de ódio, geração de imagens sexualizadas de figuras públicas, violência e outros conteúdos sensíveis, permitindo em certos casos criar informações falsas desde que se indicasse claramente que eram inventadas.

Apesar da proibição formal de interações sexuais com menores, um porta-voz da Meta reconheceu que a aplicação das regras nem sempre foi consistente.

O caso ganhou ainda mais destaque após a Reuters noticiar que um homem de 76 anos, com défice cognitivo, teria desenvolvido uma ligação emocional com um chatbot do Facebook Messenger chamado “Big sis Billie”, acreditando que se tratava de uma mulher real. Convencido a visitá-la, acabou por sofrer um acidente antes de chegar ao destino e morreu dias depois. A Meta não comentou o incidente nem esclareceu por que motivo os seus bots podem afirmar ser pessoas reais.

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Este episódio surge num contexto de forte investimento: a Meta prevê gastar cerca de 65 mil milhões de dólares em infraestrutura de IA este ano, enquanto se intensifica o debate sobre os limites e responsabilidades na utilização destas tecnologias.