Duas mochilas com explosivos foram encontradas “a algumas centenas de metros do gasoduto” numa operação conjunta da polícia e do Exército, elogiando o “bom trabalho” dos serviços secretos sérvios. O chefe de Estado acrescentou que os engenhos teriam capacidade para “ameaçar muitas vidas” e provocar danos significativos numa infraestrutura considerada crítica.

O Presidente sérvio afirmou ainda ter informado o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, sobre os primeiros elementos da investigação, sem avançar suspeitos ou motivações. “Há certos vestígios sobre os quais não posso falar”, disse Vucic, sublinhando que as buscas abrangeram uma vasta área terrestre e um lago próximo, com apoio de helicópteros.

“Os jogos geopolíticos não nos deixam em paz”, afirmou o Presidente, garantindo que a Sérvia agirá de forma “decisiva” contra qualquer ameaça às suas infraestruturas vitais. Vucic falava aos jornalistas durante uma visita ao local da Expo 2027 Belgrado, acrescentando que a proteção das principais infraestruturas energéticas foi entretanto reforçada.

O caso está já a ter impacto na campanha para as eleições legislativas húngaras, marcadas para o próximo domingo, dia 12. De acordo com sondagens recentes, o partido no poder, o Fidesz, liderado por Orbán, poderá ser derrotado pelo líder da oposição conservadora, Péter Magyar, do partido Tisza.

Numa publicação nas redes sociais, Péter Magyar exigiu ser informado “sem demora” sobre o caso e pediu para estar presente na reunião do Conselho Nacional de Defesa húngaro, convocada por Orbán para discutir a ameaça ao gasoduto. “A situação terá de ser resolvida pelo Governo Tisza”, escreveu, numa referência a uma eventual vitória eleitoral.

O líder da oposição sublinhou ainda que o incidente não deverá servir para adiar as eleições. “Não vão conseguir impedir as eleições do próximo domingo”, afirmou, acusando o primeiro-ministro de poder explorar o episódio para fins de campanha. “Se Viktor Orbán e a sua propaganda usarem esta provocação para um propósito eleitoral, será uma admissão aberta de que se trata de uma operação pré-planeada”, acrescentou.

O Balkan Stream é uma extensão do TurkStream, que atravessa o mar Negro, e desempenha um papel central no abastecimento de gás russo à Sérvia e à Hungria. A Sérvia depende fortemente desta rota, uma vez que a maioria do seu gás provém da Rússia, a preços inferiores aos do mercado europeu.

Candidata à adesão à União Europeia, a Sérvia é um dos poucos países europeus que não impôs sanções à Rússia após a invasão da Ucrânia, mantendo-se próxima de Moscovo. A Hungria também continua dependente das importações russas de gás e petróleo.

Nas últimas semanas, Viktor Orbán acusou Kiev de atrasar deliberadamente as reparações do oleoduto Druzhba, que atravessa a Ucrânia e abastece a Hungria e a Eslováquia. Kiev, por sua vez, afirmou que a infraestrutura foi danificada por ataques russos no final de janeiro.

Em resposta, Orbán bloqueou um empréstimo europeu de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, decisão que gerou críticas de líderes europeus e da oposição húngara, que acusam o primeiro-ministro de exagerar as ameaças à segurança energética para reforçar a sua posição política. Orbán rejeita essas acusações, mantendo que a defesa do abastecimento energético nacional é uma questão estratégica.