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No novo episódio de Explica-me Isto, conversamos com Pedro Carreiro Martins, investigador e professor associado com agregação na NOVA Medical School, para perceber porque é que a asma continua a ser tão subdiagnosticada e subtratada em Portugal.
“Temos 7% das pessoas com asma mas também sabemos que 70% destes doentes com asma não estão controlados”, alerta. E uma das razões é simples: muitos habituam-se aos sintomas e deixam de os interpretar como sinais de doença. “Há uma normalização dos sintomas a pessoa acha comum o cansaço, a tosse, a falta de ar.”
A consequência é um ciclo silencioso de agravamento da doença, mais idas à urgência, hospitalizações e perda de qualidade de vida. Segundo explica Pedro Carreiro Martins, também presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), a asma “interfere de uma forma gradual na vida” e por isso acaba muitas vezes por não ser encarada com a gravidade necessária.
Ao longo da conversa, desmontam-se também vários mitos associados à doença e aos tratamentos, como por exemplo o uso de inalador, frequentemente visto com desconfiança, que continua a ser a base do controlo da asma. “A terapêutica inalatória controla a larga maioria dos doentes com asma”, explica, sublinhando que os corticóides inalados atuais “são medicamentos que hoje são considerados seguros” e nada têm a ver com os que havia nos medicamentos no início.
Mas o acesso ao diagnóstico e acompanhamento continua desigual. Em algumas zonas do país, uma consulta de especialidade pode demorar mais de seis meses. “O SNS garante os cuidados mas não atempadamente e também geograficamente não é igual”, esclarece o especialista em Imunoalergologia.
Há, claro, fatores de risco como as ligações entre alergias e asma ou o impacto da poluição, mas também há novas terapêuticas para formas graves da doença. E deixa um alerta importante: tratar a asma não é apenas reagir às crises. “A asma é uma inflamação contínua”, diz. “Não se trata só quando há sintomas.”
Apesar de ainda não existir cura, o controlo adequado da doença permite uma vida perfeitamente normal. “Temos grandes atletas […] que tiveram asma e podem ter uma vida perfeitamente normal”, lembra.
Contudo, a asma não controlada tem também custos económicos elevados, desde absentismo escolar e laboral até maior pressão sobre os serviços de saúde. “Uma criança com asma não controlada gasta três vezes mais em custos de saúde”, explica.
Na semana em que se assinalou o dia mundial da asma o investigador coloca o foco no acesso universal aos inaladores anti-inflamatórios, este episódio ajuda a perceber porque continua a existir tanta iliteracia sobre uma das doenças crónicas mais comuns em Portugal e o que ainda falta fazer para mudar isso.
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