Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt

No novo episódio de Explica-me Isto, conversamos com Gil Azevedo, diretor executivo da Unicorn Factory Lisboa, para perceber o que está por trás do ecossistema de startups em Portugal e o impacto que estas empresas têm na economia.

“Um unicórnio […] é uma empresa que tem uma valorização […] de 1000 milhões de dólares”, explica. Este valor, acrescenta, não é apenas simbólico representa empresas que “chegaram a um estatuto […] global”, com capacidade de competir à escala internacional.

Apesar da dimensão do país, Portugal já conseguiu afirmar-se neste mapa. “Temos sete unicórnios com ADN português”, diz Gil Azevedo, ainda que nem todos tenham sede no país. Mas segundo o que explica isso não invalida o impacto. “Mesmo não tendo as sedes, temos cá partes muito significativas das equipas destas empresas”, sublinha. O resultado traduz-se em emprego qualificado, inovação e desenvolvimento económico: “ajuda a criar trabalho de alto valor acrescentado […] criar tecnologia, criar inovação e desenvolver o país”.

A criação de um unicórnio está longe de ser um acaso. É um processo longo, estruturado e com várias fases críticas. “Começa com a ideia […] é uma jornada e um caminho longa”, explica.

Na Unicorn Factory Lisboa, esse percurso começa com programas de incubação, onde fundadores transformam uma ideia num produto ou serviço viável. Depois, entra a fase de crescimento: encontrar financiamento, montar equipas, conquistar os primeiros clientes e, sobretudo, ganhar escala.

“Qualquer pessoa […] começa a desenvolver a sua ideia para criar um produto, um mercado”, descreve. A partir daí, o foco passa a ser a internacionalização, um dos maiores desafios para startups europeias. “Ajudamos a dar esse passo […] desenvolver tudo o que é necessário para se expandirem internacionalmente com sucesso”.

É precisamente nesse salto, de startup local para empresa global, que muitas empresas ficam pelo caminho. E uma das principais dificuldades está na fragmentação do mercado europeu. Hoje, uma startup que queira crescer fora de Portugal tem de lidar com múltiplos sistemas legais, fiscais e regulatórios.

“Estamos a falar de 27 mercados […] ajustar-se à regulação desse mercado, às leis desse mercado”, explica Gil Azevedo. Isto significa mais custos, mais tempo e mais complexidade, fatores que muitas vezes travam o crescimento.

E a pensar na resolução deste problema surgiu uma das mudanças mais ambiciosas dos últimos anos: o chamado “28.º regime”, anunciado pela Comissão Europeia. Cuja ideia é criar uma estrutura jurídica única para startups, uma espécie de “país virtual” dentro da União Europeia. Na prática, permite que uma empresa portuguesa opere em vários países sem ter de se adaptar a cada sistema nacional, reduzindo drasticamente a burocracia e acelerando a expansão.

A ambição é clara: tornar a Europa mais competitiva face a mercados como os Estados Unidos ou a Chinam, onde a escala interna facilita o crescimento das empresas tecnológicas.

Mas vale mesmo a pena empreender em Portugal? Apesar dos obstáculos, a resposta de Gil Azevedo é direta: “vale a pena”.

Portugal tem vindo a construir um ecossistema cada vez mais robusto, apoiado em três pilares principais: talento, cultura empreendedora e infraestruturas de apoio. “Temos universidades muito boas […] temos talento”, diz, destacando também uma característica cultural frequentemente apontada como vantagem competitiva: “o chamado desenrascar”.

Além disso, existem cada vez mais organizações que ajudam fundadores em diferentes fases do processo. “Há de facto estruturas […] para conseguir inovar”.

Os resultados começam a ser visíveis. Nos últimos anos, Lisboa tornou-se um dos principais hubs de inovação da Europa, atraindo empresas internacionais e investimento. “Estamos a falar de mais de 100 centros […] e 8000 postos de trabalho”, destaca.

O impacto vai além das próprias empresas. Startups e unicórnios geram efeitos indiretos em toda a economia: atraem investimento estrangeiro, dinamizam serviços locais e criam novas oportunidades.

“Essas empresas vão investir no paíse isso traduz-se em compra de serviços e faz toda a economia desenvolver-se”, explica.

Ao mesmo tempo, há um efeito estrutural mais profundo: a transformação do próprio tecido económico. “O futuro da economia vai depender da tecnologia e da inovação”, diz Gil Azevedo. Criar um ecossistema forte hoje pode determinar a competitividade do país nas próximas décadas.

Um dos desafios mais persistentes continua a ser a fuga de talento. Mas aqui, o crescimento do ecossistema pode ser parte da solução.

“Se somos capazes de apoiar os jovens […] vão poder gerar […] o seu posto de trabalho”, explica. Em vez de procurar oportunidades no estrangeiro, cada vez mais jovens podem criá-las em Portugal.

A Unicorn Factory aposta também na ligação à educação, promovendo programas com escolas e universidades para desenvolver competências de inovação desde cedo. O objetivo é claro: formar não apenas trabalhadores, mas futuros empreendedores.

O caminho está longe de concluído. A competição global por talento, investimento e inovação é cada vez mais intensa. E iniciativas como a Web Summit, ou futuros eventos semelhantes, continuam a ser importantes para manter Portugal no radar internacional. “Temos que ter capacidade de agregar a comunidade internacional em Portugal”, conclui Gil Azevedo.

Há temas que dominam a atualidade, mas nem sempre são fáceis de entender. Em "Explica-me Isto", um convidado ajuda a decifrar um assunto que está a marcar o momento. Política, economia, cultura ou ciência, tudo explicado de forma clara, direta e sem rodeios. Os episódios podem ser acompanhados no FacebookInstagram e TikTok do 24notícias.

__

A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil

Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.

Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.