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Um relatório divulgado pela organização sul-coreana Transitional Justice Working Group indica que a Coreia do Norte aumentou significativamente o recurso à pena de morte durante a pandemia de Covid-19, diz o The Guardian.

Segundo o estudo, que analisa 13 anos de execuções sob a liderança de Kim Jong-un, o número de casos documentados de execuções e condenações à morte aumentou 117% nos quase cinco anos após o encerramento das fronteiras, em janeiro de 2020, quando comparado com um período equivalente anterior. No mesmo intervalo, o número de pessoas executadas ou condenadas mais do que triplicou.

O relatório identifica 46 locais de execução, tendo sido divulgadas as coordenadas de 40 desses sítios. No total, foram documentados 144 casos, incluindo 136 eventos de execução que envolveram pelo menos 358 indivíduos, entre dezembro de 2011 — data em que Kim Jong-un assumiu o poder — e dezembro de 2024. Cerca de 70% das execuções terão ocorrido em público, com multidões obrigadas a assistir.

A investigação baseia-se em testemunhos de 265 desertores norte-coreanos, que viveram em 51 cidades e países durante o período analisado, bem como em informações provenientes de cinco órgãos de comunicação focados na Coreia do Norte, com fontes no interior do país.

De acordo com o relatório, o regime terá aproveitado o isolamento imposto pela pandemia para alargar o número de “crimes” puníveis com pena de morte. Casos relacionados com o consumo, introdução ou disseminação de cultura estrangeira — incluindo filmes, séries e música sul-coreana —, bem como práticas religiosas ou consideradas “supersticiosas”, aumentaram 250%, tornando-se as infrações mais comuns sujeitas a pena capital. Em contraste, execuções e condenações por homicídio, anteriormente o crime mais frequente, diminuíram 44%.

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