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Quase três meses após a sua detenção, Peyvand Naimi, de 30 anos, continua sem acusação formal e sob forte suspeita de enfrentar a pena de morte, numa altura de crescente preocupação com o aumento de execuções no Irão.
Naimi foi detido na sequência dos protestos de rua que se espalharam pelo país em janeiro e que foram violentamente reprimidos. Desde então, esteve mais de um mês em isolamento, foi sujeito a uma confissão forçada transmitida pela televisão estatal e terá sido alvo de tortura, incluindo simulações de execução por enforcamento, espancamentos, interrogatórios intensivos, privação de alimentos e pressão psicológica, de acordo com o The Guardian.
As autoridades acusam-no de envolvimento na morte de agentes de segurança durante os protestos e de ter celebrado a morte do antigo líder supremo, Ali Khamenei. A família nega todas as acusações e garante que não foi formalizado qualquer processo. Naimi não teve acesso a advogado.
Várias organizações de direitos humanos denunciam uma vaga de execuções no país, parcialmente ofuscada pelo conflito envolvendo os Estados Unidos e Israel. Segundo a organização Iran Human Rights, pelo menos 145 pessoas foram executadas desde o início de 2026, havendo ainda mais de 400 execuções reportadas, mas não confirmadas.
No início do mês passado, três homens foram executados publicamente após terem sido detidos nos protestos de janeiro. Entre eles estava Saleh Mohammadi, de 19 anos, descrito como uma promessa da luta livre, condenado pelo crime de moharebeh (“guerra contra Deus”), tal como Mehdi Ghasemi e Saeed Davoudi. No dia anterior, Kourosh Keyvani, cidadão com dupla nacionalidade sueca e iraniana, foi executado por alegada espionagem a favor de Israel.
O apagão da internet no país dificulta a verificação do número real de execuções. Muitas sentenças de morte não são anunciadas oficialmente, sendo comunicadas apenas aos detidos e às suas famílias. Paralelamente, familiares de milhares de pessoas ainda detidas após os protestos estão a ser pressionados a não contactar o exterior.
De acordo com a Amnistia Internacional, dezenas de manifestantes enfrentam atualmente a pena capital. Organizações de defesa dos direitos humanos alertam que estas execuções estão a ser usadas como instrumento de intimidação.
Também em Isfahan, a família de Shervin Bagherian Jabali, de 18 anos, soube da sua condenação à morte através de uma emissão televisiva. Num vídeo, o jovem, visivelmente confuso, pergunta o significado de moharebeh, recebendo como resposta: “execução”. Um amigo afirmou que Jabali foi submetido a várias simulações de enforcamento para o forçar a confessar crimes.
Na segunda-feira, dois presos políticos, Mohammad Taghavi, de 59 anos, e Akbar Daneshvarkar, de 60, foram executados por “rebelião armada contra o Estado”. Segundo a Amnistia Internacional, tinham sido condenados após um julgamento considerado profundamente injusto, marcado por alegações de tortura.
Outros dois homens, Babak Alipour e Pouya Ghobadi, foram igualmente executados após serem condenados por alegada ligação a um grupo de oposição no exílio, na sequência de meses de interrogatórios e maus-tratos. Organizações internacionais denunciam que os meios de comunicação estatais estão a instrumentalizar estas execuções como forma de dissuasão. Desde os protestos de 2022 sob o lema “Mulher, Vida, Liberdade”, a pena de morte tem sido usada como ferramenta para reprimir a dissidência.
Segundo dados das Nações Unidas, foram registadas pelo menos 1.639 execuções em 2025, face a 975 no ano anterior, embora organizações da sociedade civil apontem para mais de 2.000. Apenas uma pequena parte é oficialmente divulgada.
Entretanto, continuam a surgir relatos de maus-tratos nas prisões, incluindo sobrelotação, falta de alimentos, água e cuidados médicos, bem como desaparecimentos forçados. Em algumas unidades prisionais, detidos foram transferidos para locais desconhecidos, sem informação prestada às famílias.
Perante a situação, familiares de detidos apelam à atenção internacional. “A única forma de fazer a diferença é dar visibilidade ao que está a acontecer”, afirmou uma familiar de Naimi, sublinhando a importância de expor publicamente os abusos.
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