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A investigação, conduzida pelo juiz José Luis Calama, procura esclarecer o destino dos 53 milhões de euros concedidos pelo governo espanhol à companhia aérea Plus Ultra durante a crise provocada pela covid-19. As autoridades suspeitam que parte do montante possa ter sido alvo de operações de lavagem de dinheiro.

Segundo o El País, a Unidade de Crimes Económicos e Fiscais da Polícia Nacional realizou buscas no gabinete de José Luis Rodríguez Zapatero, bem como na empresa das suas filhas e noutras sociedades ligadas ao processo. O antigo chefe do governo espanhol deverá prestar depoimento no próximo dia 2 de junho.

Caso avance judicialmente, Zapatero torna-se o primeiro ex-primeiro-ministro da história democrática de Espanha a ser investigado num caso de corrupção.

O envolvimento de Zapatero no caso

Segundo o jornal El País, desde 2024 que o Ministério Público espanhol investiga o destino de cerca de 53 milhões de euros relacionados com o caso Plus Ultra. No final do ano seguinte, a Unidade de Delitos Económicos e Fiscais realizou uma operação na sede da empresa, da qual resultaram as detenções do presidente da companhia, Julio Martínez, e do CEO, Roberto Roselli. Nessa mesma operação foram também realizadas buscas a empresas ligadas a outro empresário, Julio Martínez Martínez, que também acabou detido.

De acordo com a mesma fonte, este empresário não era apenas amigo pessoal de José Luis Rodríguez Zapatero, como também mantinha relações comerciais com o antigo governante. Em fevereiro de 2020, terá criado uma empresa de consultoria designada Análisis Relevante, que prestava serviços à Plus Ultra e que, por sua vez, pagava honorários por serviços de “consultoria abrangente” ao ex-primeiro-ministro espanhol.

Ao longo de cinco anos, a empresa de Martínez Martínez terá recebido cerca de 460 mil euros da Plus Ultra. Fontes citadas pelo El País indicam ainda que o empresário terá atuado como “facilitador” na Venezuela, desempenhando funções como a gestão de dívidas, a obtenção de autorizações de voo e a garantia de fornecimento de combustível, entre outras tarefas.

Por sua vez, Zapatero terá recebido um valor semelhante, justificando-o como resultado de trabalhos de consultoria prestados a várias empresas. No total, o antigo chefe de Governo reconheceu ter recebido mais de 400 mil euros ao longo de cinco anos.

A notícia gerou reações imediatas no panorama político espanhol. O porta-voz do Partido Popular (PP), Miguel Tellado, considerou o caso “extremamente grave”, por envolver, segundo afirmou, “o principal assessor de Sánchez”.

“O governo tem de dar explicações agora. Todo o esquema está a desmoronar-se e os líderes estão a começar a cair”, declarou o dirigente popular.

Também o secretário-geral do Vox, Ignacio Garriga, defendeu que seria “incompreensível” que o PP não apresentasse uma moção de censura contra o executivo liderado por Pedro Sánchez, acusando o governo de estar “afundado até o pescoço em corrupção”.

Do lado do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), a porta-voz Montse Mínguez sugeriu que a denúncia integra uma alegada perseguição judicial ao partido.

“Eles não vão parar”, afirmou.

*Notícia atualizada às 17h30

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