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James Comey, antigo diretor do FBI e crítico de longa data de Donald Trump, entregou-se às autoridades para enfrentar acusações criminais relacionadas com uma publicação nas redes sociais que, segundo os procuradores, constituía uma ameaça à vida do atual presidente dos Estados Unidos, diz a BBC.

A origem do caso remonta a maio de 2025, quando Comey partilhou no Instagram uma fotografia de conchas dispostas na areia a formar os números “86 47”. A expressão “eighty-six” é frequentemente usada como gíria para “eliminar” ou “livrar-se de”, e os procuradores alegam que a combinação com “47” — referência ao número de ordem de Trump como presidente — pode ser interpretada como um incentivo à violência.

Comey nega qualquer intenção criminosa. O antigo responsável afirmou que desconhecia o significado associado aos números e classificou o processo como politicamente motivado. Após a reação pública negativa, eliminou a publicação e esclareceu que presumira tratar-se de uma mensagem política, sublinhando que se opõe a qualquer forma de violência.

Na sua comparência em tribunal, no estado da Virgínia, Comey não apresentou declaração de culpa nem prestou declarações. O seu advogado, Patrick Fitzgerald, indicou que a defesa irá pedir a rejeição do caso, argumentando que se trata de uma acusação seletiva e motivada por represálias políticas.

O juiz William Fitzpatrick leu as acusações em tribunal, enquanto Comey assentiu ao ouvir os seus direitos. À saída, terá trocado sorrisos com familiares presentes. O magistrado recusou ainda impor condições adicionais à libertação do arguido, considerando-as desnecessárias.

Os procuradores acusam Comey de ter, de forma consciente e deliberada, ameaçado tirar a vida ao presidente e causar-lhe danos físicos, bem como de ter transmitido essa ameaça através de meios de comunicação interestaduais. Cada uma das acusações prevê uma pena máxima de 10 anos de prisão.

Num vídeo divulgado antes da sua entrega às autoridades, Comey afirmou estar determinado a contestar o processo judicial. Declarou-se inocente, garantiu não ter medo e reiterou a sua confiança na independência do sistema judicial federal.

Donald Trump reagiu publicamente ao caso, classificando Comey como um “homem desonesto”. O presidente afirmou que a expressão “86” é usada em contextos criminais para significar “matar” e sugeriu que a publicação poderia constituir uma ameaça. Questionado diretamente, admitiu que “provavelmente” interpretou o conteúdo dessa forma.

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