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A Europa Ocidental registou o junho mais quente de sempre, segundo os cientistas do serviço europeu de monitorização climática Copernicus, escreve o The Guardian. A conclusão surge numa altura em que o Reino Unido enfrenta a terceira onda de calor do ano e os incêndios florestais continuam a devastar zonas de França e de Espanha. Em Portugal, a onda de calor começa a dar tréguas a partir desta quinta-feira.
De acordo com o Copernicus, a onda de calor que marcou o mês de junho, agravada pela poluição provocada pelas emissões de carbono, fez com que a temperatura do ar à superfície na Europa Ocidental ficasse 3,06 graus Celsius acima da média das últimas décadas.
À escala mundial, junho de 2026 foi 0,56 graus mais quente do que a média do período entre 1991 e 2020 e 1,39 graus acima dos níveis pré-industriais, tornando-se o segundo mês de junho mais quente alguma vez registado. O Copernicus indica ainda que os oceanos do planeta atingiram temperaturas sem precedentes.
A cientista climática Samantha Burgess, do Copernicus, afirma que estes recordes demonstram que o sistema climático continua a acumular calor. Segundo a especialista, esta tendência traduz-se em ondas de calor cada vez mais intensas, oceanos persistentemente mais quentes e riscos crescentes para a população, os ecossistemas e as infraestruturas.
A Europa Ocidental enfrenta atualmente a terceira onda de calor em apenas seis semanas. Ao mesmo tempo, a falta generalizada de humidade está a favorecer a rápida propagação de pequenos incêndios, que evoluem para grandes fogos difíceis de controlar. Para o Copernicus, esta sucessão de episódios extremos ilustra o desafio crescente colocado pela intensificação das temperaturas extremas.
Nos últimos dias, grandes incêndios consumiram vastas áreas do sul da Europa, obrigando a União Europeia a mobilizar bombeiros e aviões de combate a incêndios para apoiar os serviços nacionais, confrontados com vários fogos em simultâneo. Dados divulgados esta semana mostram que os incêndios florestais na União Europeia já destruíram uma área 56% superior ao habitual.
Segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, em França arderam 35.400 hectares, uma área quatro vezes superior à média para esta época do ano. Em Espanha, os incêndios consumiram 55.128 hectares, o dobro da média habitual.
Na quarta-feira, Barcelona estabeleceu um novo recorde de temperatura ao atingir os 40,5 graus Celsius, segundo os meteorologistas espanhóis. Em França, um bombeiro de 22 anos morreu após combater um incêndio nos Alpes, informou o Ministério do Interior francês.
Entretanto, o Reino Unido prepara-se para enfrentar temperaturas que poderão chegar aos 34 graus Celsius. Embora inferiores aos valores recorde registados em junho, prevê-se que o calor se prolongue durante cerca de dez dias.
A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 200 mil pessoas tenham morrido devido ao calor na Europa nos últimos quatro anos e considera que a maioria dessas mortes poderia ter sido evitada. Entre as medidas recomendadas pelos especialistas estão a instalação de sistemas de ar condicionado para os grupos mais vulneráveis, a utilização de toldos e proteções exteriores nos edifícios, a criação de centros de arrefecimento e o reforço dos sistemas de saúde.
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