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Os europeus em geral (66%) e os portugueses em particular (91%) estão preocupados com as catástrofes naturais agravadas pelas alterações climáticas. E, para não haver dúvidas, nada tem a ver com a depressão Kristin ou o mau tempo que assolou o país nos últimos dias, já que estes são os resultados do Eurobarómetro de outono e as entrevistas decorreram entre os dias 6 e 30 de novembro nos 27 Estados-membros da União Europeia.

As preocupações dos portugueses não são necessariamente as mesmas que as dos cidadãos dos restantes Estados-membros, ou, pelo menos, têm pesos diferentes. É o que acontece com os fluxos migratórios descontrolados, o segundo tema que mais apoquenta os nacionais (88%), mas que para a generalidade dos europeus fica em quinto lugar (65%).

Num período em que as tensões geopolíticas aumentam, os cidadãos europeus preocupam-se cada vez mais com o seu futuro e querem que a União Europeia atue com unidade e ambição, revelam os dados do Eurobarómetro hoje divulgados.

Das entrevistas realizadas, a maioria dos portugueses (96%) e dos europeus (89%) considera que os países da UE devem estar mais unidos para enfrentar as ameaças mundiais e, sensivelmente na mesma medida, acreditam que a União Europeia devia ter um papel mais ativo. Nesta matéria em particular, os portugueses (90%) dizem que a Europa devia ter mais recursos para fazer face às ameaças internacionais, opinião refletida por 73% dos europeus.

A este propósito, a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, afirmou que "as tensões geopolíticas moldam o sentimento diário de segurança dos europeus. Os cidadãos esperam que a União Europeia proteja, esteja preparada e atue em conjunto. É exatamente isso que uma Europa mais forte e mais assertiva deve proporcionar. A Europa é o nosso escudo mais forte".

Outro dado importante: 48% dos portugueses e 52% dos europeus sentem-se pessimistas em relação ao futuro do mundo. São quase tantos quanto aqueles que estão pessimistas em relação ao futuro do seu próprio país, 40% dos portugueses inquiridos (41% dos europeus). Apesar disso, as perspectivas parecem mais animadoras a nível individual: 72% dos portugueses e 75% dos europeus entrevistados estão optimistas em relação ao seu futuro e ao futuro da sua família.

O combate à pobreza e a exclusão social, a inflação e custo de vida continuam a afetar mais a vida dos portugueses (58%) do que a dos restantes cidadãos europeus (41%). Ainda assim, esta preocupação, que no Eurobarómetro de primavera de 2025 estava entre as prioritárias, ocupa agora um lugar mais afastado na lista, depois das catástrofes naturais, das migrações, do terrorismo, dos conflitos perto da União Euroepeia, dos ciberataques, da dependência da UE de países terceiros e até da saúde pública — 68% dos portugueses (contra 32% na média da UE) querem ver este tema tratado no Parlamento Europeu.

Os preços elevados, no entanto, continuam a ser uma dor de cabeça e a afetar o nível de vida dos cidadãos: 72% dos portugueses e 53% dos europeus inquiridos têm dificuldade em pagar contas "a maioria das vezes", enquanto 22% dos portugueses, versus 34% dos europeus, sentem este aperto "de vez em quando".

E esta é das poucas matérias em que os portugueses são mais pessimistas do que os restantes europeus: cerca de um terço (31%) acredita que o seu nível de vida vai piorar, um sentimento mais negativo do que o revelado em maio do ano passado. Mesmo assim, o receio de que o seu nível de vida diminua é mais acentuado entre franceses (45%), belgas e eslovacos (40%).

O inquérito que deu lugar a estas conclusões foi realizado presencialmente, com recurso a entrevistas adicionais por videoconferência em alguns Estados-membros (Chipre, Dinamarca, Finlândia, Malta, Países Baixos e Suécia). No total, foram realizadas 26.453 entrevistas. Os resultados foram ponderados de acordo com a dimensão da população de cada país.

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