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Trump anunciou um acordo com a Venezuela que dará aos EUA controlo maioritário sobre uma nova empresa responsável pela exploração de 17 campos petrolíferos, com reservas comprovadas de cerca de 65 mil milhões de barris. O acordo prevê mais de 100 mil milhões de dólares de investimento e poderá gerar mais de 209 mil milhões de dólares em impostos para a Venezuela. Os EUA terão, segundo um responsável norte-americano, cerca de 55% do controlo efetivo da produção, com direitos de exploração durante 100 anos.
Trump apresenta o acordo como uma forma de aumentar o fornecimento de petróleo e reduzir os preços da gasolina nos EUA. No entanto, especialistas alertam que a produção venezuelana não deverá aumentar rapidamente, devido ao estado degradado das infraestruturas petrolíferas e à necessidade de enormes investimentos.
Segundo o Politico, Washington também está a influenciar diretamente o processo de transição venezuelano. Embora María Corina Machado seja apresentada como a principal e mais popular figura da oposição, a administração Trump afastou-a do centro das negociações e escolheu Dinorah Figuera, uma política venezuelana menos conhecida, para representar a oposição.
Figuera lidera negociações com Jorge Rodríguez, representante do governo interino de Delcy Rodríguez. Os EUA afirmam querer apenas facilitar uma transição democrática, mas a sua forte presença nas negociações, incluindo apoio diplomático e logístico às delegações, o que levanta dúvidas sobre até que ponto Washington está realmente a facilitar ou a ditar os termos da transição.
O processo tem sido marcado por divisões dentro da oposição, falta de transparência e dúvidas sobre a verdadeira intenção do governo venezuelano. Apesar de terem sido anunciadas libertações de presos políticos, grupos de defesa dos direitos humanos confirmaram menos libertações do que as anunciadas e salientam que muitos continuam sujeitos a restrições.
Assim, a situação venezuelana parece estar a caminhar para uma transição longa e incerta. Trump procura simultaneamente apresentar uma vitória diplomática, garantir acesso ao petróleo venezuelano e pressionar por uma mudança política, enquanto os críticos receiam que o processo produza apenas mudanças simbólicas e permita a Delcy Rodríguez manter o poder.
Os EUA passaram de uma intervenção militar contra Maduro para uma forte influência sobre quem governa a Venezuela, como será feita a transição democrática e como serão exploradas as enormes reservas petrolíferas do país.
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