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Numa declaração conjunta assinada também por uma dezena de antigos altos responsáveis da política económica norte-americana, os ex-dirigentes afirmam que este tipo de pressão política sobre um banco central é típico de “países com instituições fracas”, com consequências graves para a inflação e para o funcionamento da economia.

A investigação, conduzida pelo Departamento de Justiça (DoJ), foi tornada pública no domingo pelo próprio Jerome Powell, num vídeo nas redes sociais. O presidente da Reserva Federal (Fed) revelou que poderá enfrentar uma acusação criminal relacionada com o seu testemunho perante o Senado, no ano passado, sobre as obras de renovação dos edifícios da Reserva Federal.

Jerome Powell classificou o processo como “sem precedentes” e afirmou acreditar que resulta da frustração do presidente Donald Trump com a política monetária do banco central, nomeadamente por não ter reduzido as taxas de juro com a rapidez desejada pela Casa Branca.

“Esta ameaça não tem a ver com o meu depoimento nem com as obras. Esses são apenas pretextos”, afirmou.

Segundo a BBC, apesar de a Fed ter reduzido as taxas de juro três vezes na segunda metade de 2025, fixando-as entre 3,50% e 3,75%, o nível mais baixo em três anos,  Trump tem mantido uma campanha pública contra Jerome Powell, chamando-lhe “um grande perdedor” e “inábil”.

A porta-voz presidencial, Karoline Leavitt, declarou à Fox News que Jerome Powell “não tem sido bom no seu trabalho” e que cabe ao Departamento de Justiça decidir se cometeu algum crime.

Janet Yellen, que liderou a Fed durante parte do primeiro mandato de Trump, classificou a investigação como “extremamente inquietante”, sugerindo que o verdadeiro objetivo é afastar Jerome Powell do cargo.

“Conhecendo-o como conheço, a probabilidade de ter mentido é zero. Estão atrás dele porque querem o lugar”, disse à CNBC.

O mandato de Jerome Powell termina em maio, e Trump deverá anunciar em breve o seu sucessor. No entanto, o processo judicial poderá complicar a confirmação do novo presidente da Fed no Senado. O senador republicano Thom Tillis já anunciou que irá bloquear qualquer nomeação até que a situação esteja “totalmente esclarecida”.

Nos mercados financeiros, a reação inicial foi moderada, com o índice S&P 500 praticamente inalterado. Ainda assim, analistas alertam que uma interferência política mais profunda na política monetária poderá gerar instabilidade significativa nos mercados e abalar a confiança internacional na economia norte-americana.

Também dentro do Partido Republicano surgiram críticas. O deputado French Hill, presidente da Comissão de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes, afirmou que a investigação representa uma “distração desnecessária” e pode comprometer a capacidade das administrações futuras de tomarem decisões económicas sólidas.

Já o senador Kevin Cramer afirmou não acreditar que Jerome Powell tenha cometido um crime e defendeu que o caso deve ser encerrado rapidamente.

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