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Os Estados Unidos lançaram novos ataques aéreos contra alvos iranianos, levando o Irão a responder com ataques contra interesses norte-americanos no Barém, Kuwait, Jordânia e Iraque. A nova escalada alimenta as preocupações de que o confronto possa voltar a assumir uma dimensão militar mais ampla.
Segundo o The Guardian, a Guarda Revolucionária do Irão (IRGC) afirmou que a base dos Marines norte-americanos Camp Titin, na Jordânia, foi alvo de um “intenso ataque com mísseis balísticos”. O Exército jordano disse ter intercetado dez mísseis balísticos lançados pelo Irão, sem confirmar feridos ou impactos no campo de treino norte-americano, situado junto ao golfo de Aqaba, perto das fronteiras com Israel e a Arábia Saudita. Outros três mísseis terão caído em zonas remotas.
Também foram registados ataques com mísseis e drones no Kuwait. O Exército do país afirmou estar a responder a ações iranianas, e na manhã desta quarta-feira foram ouvidas sirenes de alerta para ataques aéreos no Barém. A IRGC afirmou ainda ter atingido uma base norte-americana em Erbil, no Iraque.
O Comando Central dos Estados Unidos (CentCom) confirmou ter concluído uma nova vaga de ataques contra a IRGC. Washington afirmou que a operação respondeu a tentativas de ataque contra navios comerciais no estreito de Ormuz e contra militares norte-americanos.
Do lado iraniano, o Crescente Vermelho afirmou que quatro pessoas, incluindo uma criança, morreram e mais de 50 ficaram feridas quando estilhaços provenientes de um ataque com um míssil norte-americano atingiram uma casa onde decorria uma celebração de casamento, na cidade de Kuhestak.
Questionado sobre a existência de informações credíveis relativas a vítimas civis, o porta-voz do CentCom, capitão Tim Hawkins, afirmou que “o Exército dos EUA nunca tem como alvo civis, ao contrário da IRGC”.
As explosões também foram registadas em vários pontos do Irão. A televisão estatal iraniana noticiou explosões na ilha de Qeshm, no lado norte do estreito de Ormuz, enquanto a agência Nour News, ligada ao Estado, relatou explosões na cidade portuária de Bandar Abbas e em Chabahar, na costa sul.
A troca de ataques ocorre depois de os preços do petróleo terem começado a subir na sequência dos confrontos entre os dois países durante o fim de semana, os primeiros desde julho. Segundo o jornal britânico, foram também divulgados relatos de que dois petroleiros foram atingidos no estreito de Ormuz, uma das principais vias de abastecimento mundial de petróleo e que o Irão encerrou efetivamente à navegação.
O conflito, que durava há seis meses, tinha passado para uma fase marcada sobretudo pelo confronto económico, através de sanções, bloqueios e pressão económica. A situação alterou-se durante o fim de semana, quando as forças norte-americanas atacaram a ilha iraniana de Larak, no domingo, e o Irão respondeu com o lançamento de mísseis contra duas bases aéreas norte-americanas na Jordânia.
Na terça-feira, Trump avisou que, caso o Irão respondesse aos ataques norte-americanos, seria atingido “a um nível muito mais duro e elevado”. O presidente norte-americano acrescentou que o maior ataque ainda estaria por acontecer e que, quando terminasse, “restaria muito pouco da República Islâmica do Irão”.
No Irão, a agência Fars citou um porta-voz da IRGC, que afirmou que os Estados Unidos “irão arrepender-se dos seus novos ataques”. Mais tarde, a IRGC anunciou o início de uma “resposta de arrependimento aos agressores”, segundo a televisão estatal IRIB.
A organização acusou ainda os Estados Unidos de terem bombardeado vários locais, incluindo zonas civis, descrevendo os ataques como ações que reforçaram o bloqueio ao estreito de Ormuz e a determinação dos combatentes iranianos em combater as forças estrangeiras que intervêm naquela zona.
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