Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt

Os Estados Unidos e o Irão concordaram com um cessar-fogo provisório de duas semanas, anunciado pouco antes do prazo de quarta-feira definido pelo presidente norte-americano, Donald Trump, para lançar ataques devastadores sobre infraestruturas iranianas. Segundo o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, a trégua foi aceite condicionalmente, desde que cessassem todos os ataques contra o país.

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano declarou que, durante este período, a passagem pelo Estreito de Ormuz será permitida, sob gestão militar do Irão. Trata-se de um ponto central da proposta de cessar-fogo, dada a importância estratégica da via para o tráfego petrolífero global.

A agência de notícias estatal iraniana informou que negociações com os Estados Unidos terão lugar em Islamabad, no Paquistão, para definir os detalhes do acordo. As conversações começam na sexta-feira, 10 de abril, e poderão prolongar-se, acrescentou a mesma fonte. Contudo, a comunicação oficial sublinhou que estas negociações não significam o fim da guerra.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, anunciou que o Irão, os Estados Unidos e os respetivos aliados tinham acordado um cessar-fogo imediato em todos os teatros de conflito, incluindo o Líbano. Israel contestou esta interpretação, afirmando que o combate ao Hezbollah naquele país não se encontra abrangido pelo cessar-fogo. Sharif tem desempenhado um papel central nos esforços diplomáticos para encontrar uma solução entre as partes em guerra.

Donald Trump comentou que o Irão apresentou um plano de paz “viável” com dez pontos. De acordo com a comunicação estatal iraniana, a proposta inclui várias condições anteriormente rejeitadas pelos Estados Unidos. Entre estas, destacam-se o trânsito controlado pelo Estreito de Ormuz coordenado com as forças armadas iranianas e a retirada total das tropas norte-americanas das bases regionais. O plano contempla ainda o levantamento de todas as sanções primárias e secundárias, o pagamento de indemnizações integrais ao Irão e a libertação de todos os ativos congelados do país.

Mesmo com o cessar-fogo em discussão, continuaram a ser emitidos alertas de mísseis nos Emirados Árabes Unidos, no Qatar, no Bahrein e em Israel, evidenciando a tensão persistente na região.

A comunidade internacional saudou a proposta de cessar-fogo. O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, considerou o desenvolvimento “muito positivo”, embora tenha criticado a linguagem “extraordinária” utilizada por Trump antes do anúncio. A Coreia do Sul, o Japão e a Nova Zelândia estiveram entre os países que expressaram aprovação à notícia.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, juntou-se a outros líderes mundiais na saudação à trégua, sublinhando a importância de apoiar medidas diplomáticas para consolidar a paz. Starmer iniciou uma viagem ao Médio Oriente na quarta-feira, com encontros programados com líderes do Golfo para discutir esforços diplomáticos que sustentem e reforcem o cessar-fogo, segundo anunciou o Governo britânico.

Este cessar-fogo de duas semanas representa um passo cauteloso num conflito que ameaçou escalar rapidamente para uma guerra total. A gestão do Estreito de Ormuz e a promessa de negociações bilaterais refletem a tentativa de criar uma brecha para o diálogo, mesmo num contexto marcado por anos de tensão e confrontos indiretos. Especialistas e governos internacionais continuam a observar com atenção a evolução da situação, conscientes de que o sucesso do cessar-fogo depende do cumprimento rigoroso das condições estabelecidas e da capacidade de manter a calma em zonas de conflito altamente sensíveis.

Enquanto as negociações em Islamabad se preparam para abrir portas a um diálogo formal, o mundo mantém-se em alerta, esperançado, mas cauteloso, face à possibilidade de um regresso rápido à violência. A iniciativa iraniana de propor um plano detalhado e os esforços diplomáticos de países terceiros poderão ser determinantes para a estabilidade regional, mas o caminho para a paz definitiva permanece incerto.

___

A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil

Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.

Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.