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A investigação mostra que o córtex auditivo, a área do cérebro normalmente responsável pelo som, não se limita a ativar-se com estímulos visuais, mas também apresenta desativações que transportam informação sobre o que é visto.

Publicado na revista Human Brain Mapping, o estudo sugere que o cérebro adapta-se à ausência de um sentido utilizando múltiplas estratégias, combinando ativações e supressões neuronais.

“Em participantes surdos, o córtex auditivo apresenta respostas visuais organizadas espacialmente, de forma semelhante ao córtex visual, e essa reorganização não ocorre apenas através de ativações, mas também por mecanismos de desativação que podem ser igualmente informativos”, explica a investigadora Joana Sayal, da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.

Para chegar a estas conclusões, a equipa recorreu a ressonância magnética funcional, comparando a atividade cerebral de adultos surdos desde o nascimento com a de adultos ouvintes diante de estímulos visuais. Posteriormente, aplicou uma técnica avançada de modelação de campos recetivos populacionais (pRF) para detalhar como a informação visual se organiza no cérebro.

Os resultados abrem novas linhas de investigação sobre plasticidade cerebral, a capacidade do cérebro de reorganizar-se perante a privação sensorial, e poderão contribuir para o desenvolvimento de tecnologias de alta precisão, como implantes cocleares, ao mostrar que a informação visual pode ser processada através de desativações neuronais.

O estudo envolveu ainda Zohar Tal e Jorge Almeida, ambos da UC, com colaborações de cientistas da China e do Reino Unido, e foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, pelo Conselho Europeu de Investigação (projeto ContentMap) e pelo programa ERA Chair Actions (CogBooster).

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