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A investigação, conduzida por uma equipa da Universidade de Louisville, nos Estados Unidos, analisou dados de 436 pessoas com diagnósticos de anorexia nervosa, bulimia nervosa e perturbação da compulsão alimentar. Os resultados mostram que cerca de um terço dos participantes já utilizou, em algum momento da vida, medicamentos GLP-1 como a semaglutida ou a tirzepatida, mais do dobro da prevalência estimada na população adulta em geral, que ronda os 15%.
O estudo indica ainda que perto de 10% dos inquiridos admitiu um uso indevido destes fármacos, incluindo a toma de doses superiores às prescritas, a continuação do tratamento para além do período recomendado ou a partilha dos medicamentos com familiares e amigos sem supervisão médica. Alguns participantes referiram também a compra de versões não reguladas, adquiridas online, sem qualquer controlo clínico ou regulamentar.
Os agonistas do recetor GLP-1 imitam uma hormona libertada naturalmente pelo intestino após a ingestão de alimentos, ajudando a regular a glicemia e a reduzir o apetite ao atrasar o esvaziamento gástrico. Estes efeitos explicam a sua eficácia no tratamento da diabetes tipo 2 e no controlo do peso, mas são precisamente essas características que suscitam receios quando usados por pessoas com perturbações alimentares, podendo intensificar comportamentos de restrição alimentar e perda de peso excessiva.
Os investigadores sublinham que as perturbações do comportamento alimentar são doenças mentais graves, potencialmente fatais, associadas a um risco acrescido de depressão, ansiedade e abuso de substâncias, com impacto profundo na vida social, profissional e familiar. Apesar disso, não existe qualquer indicação clínica aprovada para o uso de medicamentos GLP-1 no tratamento destas patologias.
O trabalho decorreu entre março de 2025 e janeiro de 2026, com recrutamento através de anúncios online, organizações nacionais e redes de investigação médica. Além do historial de uso dos fármacos, os participantes forneceram informação sobre idade, raça e outras condições médicas ou de saúde mental.
Para os autores, os resultados surgem na confluência de duas tendências globais: a rápida expansão do mercado de medicamentos para emagrecimento e a crescente preocupação com a prevalência das perturbações alimentares. Nesse contexto, defendem a necessidade de reforçar a farmacovigilância e de aprofundar a investigação sobre os padrões de utilização destes fármacos, as vias de acesso, as motivações dos utilizadores e a influência do marketing.
Com a chegada ao mercado de novas formulações de GLP-1, incluindo versões orais e de nova geração, os investigadores alertam que serão necessárias orientações mais rigorosas para prevenir o uso indevido e proteger populações vulneráveis.
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