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Para muitas famílias, a entrada no ensino superior implica uma mudança que começa ainda antes do primeiro dia de aulas. Quando o estudante é colocado longe de casa, o orçamento familiar passa a ter de acomodar não só a propina e os materiais académicos, mas também uma nova realidade de despesas associadas à vida noutra cidade.
O primeiro passo deverá ser perceber quanto custa, efetivamente, esta mudança. Uma forma de organizar as contas passa por separar os gastos relacionados com a instalação dos encargos que se repetem todos os meses, das despesas académicas, dos gastos pessoais e daqueles que surgem de forma ocasional.
Esta distinção permite identificar o dinheiro necessário para arrancar o ano letivo e, ao mesmo tempo, calcular os encargos que terão de ser suportados ao longo dos meses, diz o Doutor Finanças.
Alojamento pode representar uma das maiores despesas
Encontrar um quarto, uma residência ou uma casa partilhada não deve depender apenas do valor da renda. É necessário perceber previamente o que está incluído nesse preço e que outros pagamentos poderão surgir.
A duração do contrato é outro elemento a ter em conta, já que pode abranger 10, 11 ou 12 meses. Também importa saber se o estudante pode continuar no alojamento durante as férias e os períodos de exames. Despesas como água, eletricidade, gás, internet ou aquecimento podem igualmente aumentar o custo final.
A distância até à instituição de ensino também entra na equação. Um alojamento aparentemente mais barato pode implicar deslocações mais demoradas ou a utilização de vários transportes, diminuindo a poupança conseguida com uma renda inferior.
Há ainda que preparar o dinheiro necessário para entrar no imóvel. Por acordo escrito, podem ser exigidas duas rendas antecipadas e uma caução equivalente a duas rendas.
Num contexto em que são transferidos valores antes da instalação, o Doutor Finanças recomenda confirmar a identidade do senhorio ou da agência, visitar o imóvel ou fazer uma videochamada em direto e garantir que as condições ficam registadas por escrito. O anúncio, o contrato, os comprovativos de pagamento e fotografias do imóvel devem ser guardados.
Propinas não são o único custo relacionado com os estudos
O orçamento deve incluir a propina, mesmo que esta seja paga de forma faseada. No ano letivo 2026/2027, o limite máximo para CTeSP, licenciaturas e mestrados integrados nas instituições públicas é de 697 euros. Para os restantes ciclos de estudo e para o ensino privado, os valores devem ser confirmados junto das respetivas instituições.
A estes montantes podem juntar-se despesas de matrícula, livros, software e outros materiais necessários. A recomendação é evitar compras antecipadas até serem conhecidas as necessidades efetivas do curso e procurar soluções alternativas, como bibliotecas, versões digitais ou equipamentos disponibilizados pela instituição.
O mesmo princípio aplica-se ao computador. Antes de gastar dinheiro num novo equipamento, o estudante deve confirmar quais as características exigidas pelo curso, nomeadamente em termos de sistema operativo, memória, armazenamento, placa gráfica e software.
A existência de laboratórios, licenças académicas ou equipamentos para empréstimo também pode evitar uma despesa desnecessária.
Alimentação e transportes entram nas contas mensais
A alimentação deve ser calculada tendo em conta onde serão feitas as refeições. O orçamento poderá incluir comida preparada no alojamento, refeições na cantina e refeições fora de casa. Conhecer antecipadamente os preços e os horários das cantinas, incluindo ao jantar e aos fins de semana, ajuda a definir este valor.
Nas deslocações, não basta contabilizar o percurso diário entre a residência e a instituição. Também devem ser consideradas as viagens para regressar a casa.
O Passe Gratuito para Jovens pode abranger algumas deslocações, mas nem todas as viagens à residência da família estão necessariamente incluídas. Por isso, é necessário verificar quais as ligações abrangidas e prever eventuais gastos com comboios, autocarros, bagagem ou transportes noturnos.
Bolsas e benefícios fiscais podem aliviar o orçamento
As famílias devem ainda verificar a existência de apoios que possam reduzir o custo de estudar longe de casa. Entre as possibilidades estão as bolsas de estudo e os apoios ao alojamento, cujas condições e prazos devem ser consultados junto da Direção-Geral do Ensino Superior ou dos Serviços de Ação Social da instituição.
Também pode haver benefícios fiscais para estudantes deslocados. No caso de estudantes até aos 25 anos que frequentem uma instituição situada a mais de 50 quilómetros da residência permanente do agregado familiar, pode ser possível deduzir 30% das rendas pagas, até ao limite anual de 400 euros.
Nestas situações, o limite global das deduções de despesas de educação no IRS pode passar de 800 para 1.100 euros. Para que a dedução seja aplicada, a documentação deve identificar o arrendamento como destinado a estudante deslocado e a informação deve ser comunicada corretamente à Autoridade Tributária.
O primeiro mês serve para corrigir o orçamento
Mesmo depois de calculadas as despesas previsíveis, o orçamento deve reservar algum dinheiro para situações que não podem ser antecipadas. Higiene, lazer, medicamentos, reparações ou viagens urgentes são alguns dos gastos que podem surgir durante o ano.
Deixar estes custos de fora pode fazer com que o estudante tenha de recorrer ao dinheiro destinado a despesas essenciais, como a renda ou a alimentação.
Por isso, o orçamento não deve ser encarado como definitivo. Depois do primeiro mês de aulas, será possível comparar as estimativas com os gastos reais e perceber onde é necessário fazer ajustes.
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