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Irfan (ou Erfan) Shakurzadeh, estudante de mestrado em engenharia aeroespacial, foi enforcado após ter sido considerado culpado de colaborar com a CIA e com a Mossad, os serviços secretos norte-americano e israelita, respetivamente. A informação foi divulgada pela Mizan, órgão oficial do sistema judicial iraniano.

Segundo organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos, como a Hengaw e a Iran Human Rights (IHR), ambas sediadas na Noruega, Shakurzadeh estudava na Universidade de Ciência e Tecnologia de Teerão, uma das instituições académicas mais prestigiadas do país.

Antes da execução, cuja data exata não foi tornada pública, o estudante terá redigido uma mensagem na qual rejeitava as acusações. “Não deixem que outra vida inocente desapareça em silêncio e sem atenção pública”, escreveu, de acordo com as mesmas organizações.

A Hengaw denunciou ainda que o estudante terá sido submetido a nove meses de tortura física e psicológica, mantido em regime de isolamento, com o objetivo de obter confissões forçadas. As autoridades iranianas afirmam que Shakurzadeh transmitiu deliberadamente informações classificadas enquanto trabalhava numa organização científica ligada ao setor espacial do país.

A Mizan indicou que as confissões do estudante deverão ser transmitidas ainda hoje pela televisão estatal iraniana.
O Irão é frequentemente acusado por países ocidentais de utilizar o seu programa espacial para desenvolver capacidades relacionadas com mísseis balísticos, acusações que Teerão nega.

Desde o ataque israelo-norte-americano de 28 de fevereiro, que desencadeou uma nova escalada militar na região, as detenções e execuções aumentaram de forma acentuada no país. De acordo com a IHR, cerca de 30 pessoas foram executadas desde então, incluindo cinco por espionagem e outras por alegadas ligações a protestos e a grupos de oposição proibidos.

Organizações internacionais de defesa dos direitos humanos, como a Amnistia Internacional, reiteram que o Irão é um dos países que mais recorre à pena de morte a nível mundial, ficando apenas atrás da China. Dados recentes indicam que pelo menos 1.639 pessoas foram executadas no Irão em 2025, o número mais elevado registado desde 1989.

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