Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.

O último sábado de Rock in Rio Lisboa reuniu algumas das maiores lendas da música dos anos 80. Foi um verdadeiro presente para os pais que, no sábado anterior, tinham feito um esforço pelos filhos ao participarem no maior "cavalinho" do mundo.

Rock in Rio ou Pop in Rio? 90 mil pessoas fizeram o "cavalinho" e Katy Perry levou Portugal à Lua
Rock in Rio ou Pop in Rio? 90 mil pessoas fizeram o "cavalinho" e Katy Perry levou Portugal à Lua
Ver artigo

O Palco Mundo abriu com os 4 Non Blondes, de volta a Portugal 34 anos depois da última atuação no país. O momento alto chegou no encerramento do concerto, com a interpretação de What's Up?, contando com a participação do filho de Linda Perry, vocalista da banda e, mais tarde, uma das mais reconhecidas compositoras da música norte-americana.

Shaggy entrou logo a seguir e trouxe consigo o reggae, que no palco Super Bock se fez representar pelos The Wailers, banda de Bob Marley. O artista jamaicano apresentou-se com os grandes êxitos, desde Mr. Boombastic até Hey Sexy Lady, tema que uma geração mais nova poderá reconhecer pelos edits de Pedro Pascal no TikTok.

Na plateia, os looks eram variados, mas havia um elemento comum que sobressaía: camisolas, cachecóis e bandeiras de Portugal. Afinal, além dos concertos, havia outro acontecimento a dividir atenções: o jogo da Seleção Nacional.

O 24notícias falou com alguns espectadores que recordavam os tempos áureos de 4 non Blondes, Cyndi Lauper e Rod Stewart. "Lembro-me das noites na discoteca", dizia um dos presentes, acrescentando "estas pessoas já eram muito à frente do seu tempo". Entre o público havia também quem fosse bastante mais novo. Uma jovem explicava estar ali "por estas duas lendas do rock", música que aprendeu a apreciar desde adolescente.

As previsões para o Portugal-Colômbia também alimentavam as conversas. Um espectador arriscava um triunfo por 3-1, com dois golos de Cristiano Ronaldo e um de Bruno Fernandes. Para a Colômbia, apontava um golo de Luis Suárez.

Cyndi Lauper: "Mantemos a luz acesa, por mais escuro que tudo pareça"

À medida que o sol desaparecia, chegava a vez de Cyndi Lauper. Aos 73 anos, entrou em palco com a irreverência que sempre a caracterizou: cabelo azul em crista, lábios vermelhos e uma presença vibrante que transformou os primeiros minutos numa viagem pela sua carreira. Bastaram os primeiros acordes para perceber que a idade pouco lhe retirou da energia.

Ao longo do concerto brincou, entre risos, nunca ter aprendido português, pois "demora anos". Contudo, dirigia vários "tudo bem?" ao público.

A voz revelou naturalmente alguns sinais do tempo, sobretudo nas notas mais agudas, sendo muitas vezes apoiada pela banda e pelos coros. Ainda assim, o carisma compensava qualquer limitação vocal.

A certa altura, exibiu a camisola 7 da Seleção Nacional e confessou, entre sorrisos: "I like him", numa referência a Cristiano Ronaldo.

Num dos momentos mais simbólicos da noite, pediu ao público que acendesse as luzes dos telemóveis. "Parecemos uma comunidade de luz. Mantemos a luz acesa, por mais escuro que tudo pareça", disse, antes de interpretar Time After Time.
Foi durante os grandes êxitos que o público se mostrou mais participativo. Os aplausos mal terminavam e Cyndi Lauper voltava a preencher o silêncio com mais uma tentativa de comunicar em português.

O encerramento ficou reservado para Girls Just Want to Have Fun. Vestida de branco com bolas vermelhas, uma referência à artista japonesa Yayoi Kusama, Cyndi Lauper transformou finalmente o recinto numa verdadeira festa. Houve quem dançasse sem reservas, embora muitos continuassem apenas a acompanhar o ritmo de braços cruzados e um pé a marcar a batida.

Antes da despedida, deixou ainda uma mensagem em defesa dos direitos fundamentais e da igualdade. E, numa última tentativa de agradecer em português, deixou escapar um divertido "ariga…", corrigindo-se de imediato: "Ah, isso é japonês."

Entre o público ouvia-se uma frase simples, mas esclarecedora: "Deu um bom espetáculo."

Na pausa entre concertos houve um momento de apoio à seleção com memórias de "Mundiais" e "Euros" passados.

A espera era preenchida com interjeições engraçadas que refletiam a faixa etária do público: "Um gajo já custa a vergar a mola" e "Isto não mata, mas mói".

Ainda antes de entrar o cabeça de cartaz, já se ouviam pequenos grupos a murmurar Baby Jane.

Rod Stewart: uma lenda que continua a dominar o palco

Entre máquinas de fumo e um sonoro "Alright, alright", Rod Stewart fez a sua entrada em palco. De camisa branca e dourada, calças às riscas e unhas pintadas de verde, o cantor de Baby Jane e Da Ya Think I'm Sexy? desafiava os 81 anos com uma energia contagiante, lembrando, logo nos primeiros instantes, porque continua a ser um dos grandes entertainers do rock.

Acompanhavam-no três bailarinas e uma banda vestida de dourado. As bailarinas eram, aparentemente, as únicas pessoas em palco com menos de 50 anos.

"Esta noite vamos dar uma festa", prometeu. E assim começou com Havin' A Party. Entre músicas mais aceleradas e baladas, o tenor barítono que o caracteriza mantém-se lá, uma voz que encheu o Parque Tejo de intensidade.

A meio do espetáculo, perguntou: "Será que Portugal vai ganhar o Mundial? Vamos cruzar os dedos", arrancando aplausos e sorrisos.

Depois de Forever Young, desapareceu brevemente para a primeira mudança de roupa, regressando com um casaco estampado e igualmente brilhante. Não se sabe se aproveitou para recuperar o fôlego com oxigénio, como notícias recentes divulgaram, mas voltou ao palco com a mesma energia.

Em Rhythm of My Heart, dedicou a canção à Ucrânia. No ecrã surgiram imagens de Volodymyr Zelensky, acompanhadas por uma mensagem de apoio ao país e críticas dirigidas a Vladimir Putin.

Ficou evidente que o espetáculo não vivia apenas de Rod Stewart. A banda assumiu um papel determinante, com especial destaque para o saxofone, protagonista em vários momentos.

Antes de Baby Jane, houve nova troca de figurino. Pouco depois chegou Da Ya Think I'm Sexy?, acompanhada pelas bailarinas e pelo inconfundível riff que levou praticamente todo o recinto a cantar.

A noite já seguia iluminada por uma lua cheia quando as baladas começaram a unir verdadeiramente o recinto. As vozes do público sobrepunham-se à do cantor. "É esta!", gritava alguém mal começaram os primeiros acordes de Sailing. Com um chapéu de marinheiro, Rod Stewart trouxe o momento mais emocionante da noite.

No encore cantou Love Train, enquanto no ecrã passavam imagens satíricas de Donald Trump e manchetes de jornais sobre as tarifas comerciais impostas pelo Presidente dos EUA.

O cantor regressou com uma camisola da seleção, despediu-se com um "Obrigado, Lisboa", desejou um regresso em segurança ao público e encerrou um espetáculo onde mostrou que, mesmo aos 81 anos, continua a saber conquistar uma multidão.

Muitas pessoas ficaram no recinto para ver Portugal - Colômbia no grande ecrã. O jogo acabou por ficar empatado e Portugal, que já estava confirmado nos 16-avos, segue agora em segundo lugar no Grupo K.

___

A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil

Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.

Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.