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Pete Docter, responsável criativo da Pixar, afirmou que elementos narrativos com referências LGBTQ+ foram removidos do filme "Elio" porque o estúdio pretende focar-se em histórias capazes de atrair um público mais amplo, escreve o The Guardian.
Docter comentou o tema pouco depois da estreia do mais recente filme do estúdio, "Hoppers", que alcançou o primeiro lugar nas bilheteiras da América do Norte no fim de semana de estreia. Questionado sobre as alterações feitas em "Elio", o responsável explicou que a prioridade da empresa é produzir filmes com forte capacidade de atrair espectadores. “Estamos a fazer um filme, não centenas de milhões de dólares em terapia”, afirmou em entrevista ao Wall Street Journal.
A discussão sobre a presença de conteúdos LGBTQ+ em produções da Pixar não é recente. Em 2022, surgiram relatos de descontentamento interno após a divulgação de uma carta assinada por funcionários LGBTQIA+ do estúdio e por aliados. No documento, os trabalhadores afirmavam ter testemunhado a redução significativa de histórias com personagens diversas durante o processo de revisão interna.
Segundo essa carta, momentos de afeto entre personagens do mesmo sexo eram frequentemente eliminados antes da estreia dos filmes. Os signatários afirmavam ainda que várias narrativas consideradas “ricas em diversidade” acabavam por regressar das revisões corporativas com conteúdos substancialmente reduzidos.
No caso específico de "Elio", o Wall Street Journal revelou que algumas cenas removidas da versão final tinham sido inspiradas na infância de Adrian Molina, um dos realizadores do projeto. Entre os elementos cortados encontrava-se, por exemplo, uma bicicleta cor-de-rosa associada à personagem principal e uma sequência em que Elio imaginava criar um filho com um rapaz por quem nutria sentimentos.
De acordo com o jornal norte-americano, estas sequências foram retiradas depois de sessões de teste com público indicarem que os espectadores não demonstravam entusiasmo suficiente para pagar bilhete para ver o filme. Durante o processo de alterações, Molina acabou por abandonar o projeto, sendo substituído na realização por Madeline Sharafian e Domee Shi, que supervisionaram as mudanças finais.
Apesar das alterações, "Elio" não conseguiu alcançar o sucesso esperado quando chegou às salas em 2025. O filme acabou por se tornar no pior desempenho de bilheteira da história da Pixar, registando prejuízos superiores a 100 milhões de dólares.
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