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O aumento tem como referência a evolução do Índice de Preços no Consumidor entre 2024 e 2025, mas por razões práticas os valores foram arredondados para múltiplos de cinco cêntimos. Assim, nas zonas verdes, onde a pressão de estacionamento é menor — o preço passa de 0,80€ para 0,85€ por hora. Nas zonas amarelas, sobe de 1,20€ para 1,25€. Já nas zonas vermelhas e castanhas, que correspondem às áreas de maior procura e congestionamento, a subida é mais acentuada: de 1,60€ para 1,70€ na vermelha, e de 2,00€ para 2,10€ na castanha. Existe ainda uma tarifa preta, teoricamente a mais cara de todas, que subiria de 3,00€ para 3,15€ — mas esta nunca chegou, na prática, a ser aplicada em qualquer zona da cidade.

Na prática, isto significa que quem estaciona nas zonas mais centrais e procuradas, como a Baixa, o Chiado, Bica, Cais do Sodré, Príncipe Real, Avenida da Liberdade, Avenidas Novas ou Avenida Almirante Reis, sentirá o aumento mais elevado, de dez cêntimos por hora. Já em zonas como Campo de Ourique, Parque das Nações, Arroios, Penha de França, Lapa, Estrela, Lumiar, Carnide ou Olivais, o aumento será de apenas cinco cêntimos.

A justificação apresentada pela câmara, através do vice-presidente e vereador da Mobilidade, Gonçalo Reis, assenta em dois pilares principais. Por um lado, a necessidade de garantir a sustentabilidade financeira da EMEL, tendo em conta o aumento dos custos de funcionamento, nomeadamente salariais, e os investimentos que a empresa tem em curso, como a rede ciclável, a rede de bicicletas partilhadas Gira, a gestão de parques de estacionamento e a gestão do sistema de semáforos da cidade. Por outro lado, argumenta-se que é preciso adequar os tarifários à evolução dos padrões de mobilidade e à procura de estacionamento em Lisboa, promovendo assim uma gestão mais eficiente do espaço público e incentivando maior rotatividade dos lugares disponíveis.

Em termos de impacto financeiro, a EMEL estima que este aumento gere um acréscimo mínimo de cerca de 840 mil euros anuais nas receitas do estacionamento na via pública, elevando os rendimentos totais para mais de 25,9 milhões de euros, um crescimento de 3,4% face aos 25,1 milhões arrecadados em 2025. Esta previsão tem em conta o conceito de elasticidade-preço da procura, ou seja, a sensibilidade da procura face à variação do preço. Como Lisboa nunca alterou os seus preços desde 2011, o que impossibilita simular a reação real dos automobilistas a uma subida —, a EMEL baseou-se num estudo de 2013 feito em São Francisco, nos Estados Unidos, para estimar que a subida das tarifas resultará numa quebra de 1,8% nas horas de estacionamento pagas, o equivalente a menos 508 mil horas de ocupação do espaço público. Caso a procura se mantivesse inalterada apesar da subida de preços, o acréscimo de receita poderia, em teoria, ultrapassar 1,3 milhões de euros.

Por fim, esta atualização de tarifários surge num momento em que a EMEL está também a preparar a retirada gradual dos parquímetros físicos das ruas da cidade, substituindo-os por sistemas de pagamento digital. Um projeto-piloto está a ser preparado para uma zona ainda por definir, e, segundo a empresa, desde maio de 2024 já foram retirados 225 parquímetros físicos.

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