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Ronaldo Sousa, do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da Escola de Ciências da Universidade do Minho, é o único português envolvido nas equipas internacionais responsáveis pelos artigos The Impacts of Biological Invasions e The Spread of Non-Native Species, publicados na revista científica Biological Reviews.
Os estudos, que reúnem cientistas de 20 países, analisam os efeitos ecológicos, económicos e sociais das espécies invasoras, bem como os mecanismos que explicam a sua rápida disseminação.
Segundo os trabalhos, as espécies não nativas alteram profundamente o funcionamento dos ecossistemas, afetando cadeias alimentares, ciclos biogeoquímicos e a estrutura das comunidades biológicas. Estes impactos resultam em perdas ecológicas significativas, elevados custos económicos para setores como pesca, agricultura e floresta, e riscos diretos para a saúde humana.
Os investigadores destacam que a globalização, o comércio internacional – incluindo online –, as alterações no uso do solo e as mudanças climáticas estão a acelerar a introdução de espécies não nativas. Uma vez estabelecidas, muitas apresentam elevada capacidade de dispersão, reprodução e adaptação, tornando o seu controlo ou erradicação extremamente difícil.
“As invasões biológicas não são eventos isolados, mas processos contínuos e cumulativos, impulsionados por atividades humanas que, de forma deliberada ou acidental, movem organismos entre regiões”, sublinha Ronaldo Sousa.
Os artigos frisam ainda que os impactos das invasões são frequentemente subestimados, pois surgem de forma gradual ou indireta e podem interagir com outras pressões ambientais, amplificando os danos.
Os cientistas defendem reforçar medidas de prevenção e biosegurança nas principais rotas de introdução, criar sistemas eficazes de deteção precoce e resposta rápida, integrar o conhecimento científico nas políticas públicas e fortalecer a cooperação internacional.
“A prevenção é, de longe, a estratégia mais eficaz e economicamente mais viável para mitigar os problemas gerados”, conclui Ronaldo Sousa, alertando que, sem ação coordenada, a introdução de espécies não nativas continuará a acelerar, comprometendo os objetivos globais de conservação da biodiversidade e de desenvolvimento sustentável.
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