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A indústria suinícola em Espanha está a atravessar um momento crítico devido ao surto de peste suína africana (PSA), que já provocou perdas significativas e levou vários mercados internacionais a suspenderem importações, diz a BBC.
Jordi Saltiveri, produtor de suínos na província de Lleida, na Catalunha, recorda o impacto emocional do momento em que soube da deteção do vírus no país, no final do ano passado. Proprietário de uma exploração com cerca de 8.000 porcos, afirma que sentiu tristeza, revolta e impotência, antecipando as consequências para o setor. Segundo explica, a confirmação de um caso de PSA é suficiente para levar outros países a interromperem imediatamente as importações de carne de porco.
Apesar de o surto se manter relativamente contido e não ter atingido a sua exploração, Saltiveri, que também preside à federação de cooperativas agrícolas da Catalunha, já sente os efeitos económicos. Cada animal vendido para abate perdeu entre 30 e 40 euros em valor, o que representa perdas significativas para os produtores.
A peste suína africana é altamente contagiosa e letal para porcos e javalis, embora não represente qualquer risco para os seres humanos. O foco inicial do atual surto foi identificado no Parque de Collserola, nos arredores de Barcelona, após a descoberta do cadáver de um javali infetado, no final de novembro. As autoridades reagiram rapidamente, encerrando o parque e restringindo o acesso, ao mesmo tempo que procuravam outros animais infetados.
Embora a origem exata do surto permaneça desconhecida, os javalis são apontados como um fator determinante na sua propagação. A sobrepopulação destes animais, que frequentemente se aproximam de zonas urbanas, tem contribuído para o aumento do risco de transmissão de doenças. Estima-se que existam entre 120 mil e 180 mil javalis na Catalunha, sendo objetivo das autoridades reduzir este número para metade.
As operações de controlo incluem abates seletivos, com recurso a armadilhas, armas com silenciador, drones e câmaras de vigilância. Até ao final de março, 232 javalis tinham testado positivo. Paralelamente, foram instaladas cercas para limitar a circulação dos animais, e os agentes envolvidos cumprem rigorosos protocolos de desinfeção.
O impacto económico já é evidente. Desde que erradicou o último surto há cerca de 30 anos, Espanha tornou-se o maior produtor de carne de porco da Europa, com um setor avaliado em 25 mil milhões de euros. No entanto, países como Brasil, Japão, México, África do Sul e Estados Unidos suspenderam as importações de carne suína espanhola. Outros mercados, como a União Europeia, a China e o Reino Unido, optaram por restrições mais localizadas.
Na Catalunha, as exportações de carne de porco caíram 17% em janeiro, face ao mesmo período do ano anterior. No total, o setor já acumulou perdas superiores a 600 milhões de euros desde o início da crise, segundo a organização agrícola Unión de Uniones. Mesmo após a erradicação do vírus, será necessário aguardar 12 meses para recuperar o estatuto sanitário e retomar plenamente as exportações.
Apesar das preocupações, o consumo interno mantém-se estável. Consumidores em mercados de Barcelona mostram confiança nas medidas adotadas, referindo que os controlos reforçados aumentam a segurança dos produtos. Também os comerciantes indicam que os preços no retalho não sofreram alterações significativas, embora as vendas estejam condicionadas pelo aumento do custo de vida.
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