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França e Espanha enfrentam uma corrida contra o tempo para controlar os grandes incêndios florestais que continuam ativos, antes da chegada de uma nova vaga de calor prevista para esta semana, que poderá dificultar ainda mais o combate às chamas, diz o The Guardian.

Segundo a agência meteorológica espanhola (Aemet), a vaga de calor deverá prolongar-se pelo menos até domingo, com temperaturas elevadas e ventos quentes do sul, fatores que tornarão mais difícil o trabalho dos bombeiros.

O maior incêndio alguma vez registado em Espanha está a consumir a zona montanhosa de Ávila, a oeste de Madrid, onde já arderam cerca de 50 mil hectares. As autoridades combatem ainda dois outros incêndios a noroeste da capital espanhola, elevando para 70 mil hectares a área total ardida naquela região.

O Governo espanhol revelou que já arderam 172 mil hectares de floresta este ano, o equivalente a seis vezes a área consumida no mesmo período do ano passado.

Pedro Sánchez afirmou, durante uma conferência sobre o clima, que estes incêndios não constituem episódios isolados, mas sim uma manifestação da emergência climática, que está a tornar os incêndios mais intensos, as ondas de calor mais frequentes e o território mais vulnerável.

Também em França, os bombeiros procuram dominar os incêndios antes da nova vaga de calor. Está em curso "uma corrida contra o tempo", numa altura em que as previsões apontam para temperaturas que poderão atingir os 40 graus em algumas zonas do país.

O presidente francês, Emmanuel Macron, deslocou-se a Bordéus e alertou que "as próximas semanas serão difíceis". Apesar de ter referido que um incêndio de menor dimensão na região de Landes está circunscrito, sublinhou que continua ativo e perigoso, apelando à máxima prudência nas próximas horas e dias.

O incêndio de Gironde já destruiu cerca de 42 mil hectares, sendo apontado como uma das maiores devastações de território em França desde a Segunda Guerra Mundial. Na comuna de Cestas, próxima de Bordéus, máquinas escavadoras estão a remover árvores para criar faixas de contenção e tentar travar o avanço das chamas.

Embora o incêndio não tenha registado progressão durante a madrugada de segunda-feira, continua por dominar. Até ao momento, obrigou à retirada de cerca de 220 mil pessoas.

Incêndios até novembro

Teresa Ribera, responsável da Comissão Europeia pela transição ecológica, afirmou que a Europa não está preparada para enfrentar as consequências da crise climática. Numa entrevista ao El País, anunciou que a Comissão Europeia irá apresentar, em outubro, uma estratégia de adaptação mais abrangente do que as políticas atualmente em vigor.

Segundo responsáveis europeus, a época de incêndios começou já em abril e poderá prolongar-se até ao início de novembro. As autoridades comunitárias alertam ainda para um aumento do risco de incêndios a partir de meados desta semana em França, Espanha e Grécia.

Na sequência dos pedidos de ajuda apresentados pelos dois países através do mecanismo europeu de proteção civil, a Comissão Europeia coordenou o envio de sete aviões e quatro helicópteros para França, bem como seis aviões e três equipas especializadas em combate a incêndios florestais para Espanha. Foram igualmente destacados técnicos europeus para a região de Bordéus, com o objetivo de apoiar as autoridades locais.

A Comissão Europeia destaca ainda o carácter inédito da velocidade de propagação de alguns incêndios. Segundo um responsável europeu, um incêndio recente no sul de Espanha, que provocou 13 mortos, chegou a avançar a cerca de 6,4 quilómetros por hora, quando os bombeiros conseguem responder apenas a fogos que se propagam a velocidades até cerca de 300 metros por hora.

A dimensão dos incêndios levou vários países europeus a mobilizar meios de apoio para França e Espanha. Entre eles está Itália, que enviou equipamentos e equipas de combate apesar de enfrentar também vários incêndios no seu território.

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