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A investigação integra a mais recente avaliação dos impactos das alterações climáticas na saúde na Europa, publicada na revista médica The Lancet e revelada esta quarta-feira pelo The Guardian. Os dados mostram que, entre 2015 e 2024, as épocas de polinização de árvores como bétula, amieiro e oliveira começaram mais cedo do que no período 1991-2000.
Segundo os autores, temperaturas mais elevadas e maiores concentrações de dióxido de carbono estimulam as plantas a produzir mais pólen, intensificando sintomas como comichão nos olhos, congestão nasal e, em casos extremos, crises respiratórias graves. “São indicadores do dia a dia que mostram que algo está a piorar para muitas pessoas”, afirmou Joacim Rocklöv, epidemiologista ambiental da Universidade de Heidelberg e um dos coordenadores do relatório.
Desde a última edição do estudo, em 2024, a severidade sazonal do pólen de bétula e amieiro aumentou entre 15% e 20% no sul do Reino Unido, norte de França, Alemanha e em partes da Europa de Leste. Investigadores alertam ainda para o avanço de espécies invasoras, como a ambrósia (ragweed), cujo pólen deverá tornar-se um problema de saúde pública em regiões onde hoje é pouco comum.
Para Katharina Bastl, investigadora em aerobiologia da Universidade Médica de Viena, que não participou no estudo, as alergias ao pólen “são um risco sanitário associado às alterações climáticas”, embora os impactos variem de região para região.
O relatório, elaborado por 65 especialistas de 46 instituições académicas e agências da ONU, revela ainda um agravamento mais amplo dos riscos climáticos na Europa. Por exemplo, as mortes relacionadas com o calor aumentaram, em média, 52 por milhão de habitantes, enquanto os alertas diários de calor extremo quadruplicaram e a possibilidade de transmissão de doenças como a dengue mais do que triplicou nas últimas décadas.
No mesmo período, 983 de 1435 regiões europeias registaram um aumento da duração de secas estivais classificadas como “extremas a excecionais”, quando comparadas com as quatro décadas anteriores.
Os autores defendem uma resposta urgente, com medidas de adaptação como o reforço de zonas verdes nas cidades, orientações de saúde pública ajustadas aos riscos do calor e a reorientação de subsídios dos combustíveis fósseis para energias limpas. Em 2023, esses subsídios atingiram 444 mil milhões de euros, impulsionados pelas medidas para conter o choque dos preços da energia após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Cathryn Tonne, epidemiologista ambiental do Instituto de Saúde Global de Barcelona e coautora do relatório, sublinha que a “janela de ação está a fechar-se”, mas que a Europa ainda pode proteger vidas ao investir em energia limpa, melhorar a qualidade do ar e preparar os sistemas de saúde para choques climáticos cada vez mais frequentes.
Nem todas as tendências são negativas, sendo que as mortes atribuídas à poluição por partículas finas do transporte caíram 58% na União Europeia entre 2000 e 2022, e as associadas à produção de eletricidade diminuíram 84%. Para os investigadores, estes dados demonstram que a transição energética traz benefícios rápidos e concretos para a saúde pública europeia.
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