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O Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e a primeira-dama Olena Zelenska chegaram a Dublin para a primeira visita oficial à Irlanda, e foram recebidos pela Presidente Catherine Connolly e pelo primeiro-ministro Micheál Martin. Durante a visita, a Irlanda aprovou um pacote de ajuda financeira à Ucrânia, com 100 milhões de euros para apoio militar não letal e 25 milhões de euros para necessidades energéticas. Zelensky agradeceu o acolhimento dos refugiados ucranianos e o apoio contínuo do país.

Na conferência de imprensa conjunta com Micheál Martin, Zelensky afirmou que não há soluções simples para a paz e sublinhou que: “Nada sobre a Ucrânia deve ser decidido sem a Ucrânia”.

O Presidente ucraniano defendeu a necessidade de garantir a segurança do seu país e de acabar a guerra de forma que a Rússia não volte a atacar nos próximos tempos. Destacou que o progresso para a paz dependerá das negociações entre os Estados Unidos e a Rússia e que as próximas etapas só poderão avançar após essas conversações. Zelensky pediu a transferência dos ativos russos congelados para apoiar a defesa e reconstrução da Ucrânia, e afirmou que isso beneficiaria não só a Ucrânia, mas também os seus parceiros, e agradeceu à Irlanda pelo respeito demonstrado ao seu povo.

“Agora mais do que nunca, há uma oportunidade de acabar com esta guerra”, disse Zelensky, reconhecendo contudo que alguns aspetos do plano de paz ainda precisam de ser definidos.

Zelensky reafirmou também a ambição da Ucrânia de se candidatar à União Europeia nos próximos cinco anos.

Enquanto isto, a cidade de Pokrovsk, na região de Donetsk, continua a ser palco de combates intensos. A Ucrânia nega que a cidade tenha sido capturada pela Rússia, e considera as tentativas de “plantar bandeiras” como propaganda, enquanto especialistas, citados pela BBC, indicam que a Rússia controla parcialmente a cidade. Zelensky acusou Moscovo de usar as negociações como forma de enfraquecer sanções internacionais.

Paralelamente, uma delegação norte-americana, liderada por Steve Witkoff e Jared Kushner, reuniu-se com o Presidente russo Vladimir Putin em Moscovo para discutir uma proposta de paz de 28 pontos. Witkoff, magnata imobiliário e parceiro de golfe de Donald Trump, foi criticado por parecer priorizar os pedidos russos e já se encontrou com Putin várias vezes este ano — sem visitar Kiev. Kushner, genro de Trump, atua como conselheiro externo nas negociações diplomáticas.

A delegação russa incluía, além de Putin, Yuri Ushakov — conselheiro de política externa desde 2012 e antigo embaixador russo nos EUA — e Kirill Dmitriev, conhecido pelas suas ligações diplomáticas e experiência empresarial nos EUA, e cuja infância se passou parcialmente na Ucrânia, onde participou em protestos pró-democracia ainda adolescente. Um quarto membro não foi identificado pelos meios russos.

Enquanto as negociações acontecem, o presidente russo tem adotado um tom agressivo em relação à Europa: “Não estamos a planear ir para a guerra com a Europa, já disse isso uma centena de vezes. Mas se a Europa, de repente, quiser lutar connosco e começar, estamos prontos neste momento. Não pode haver dúvida sobre isso”, disse aos jornalistas esta tarde.

“Se a Europa, de repente, quiser começar uma guerra connosco e o fizer, poderá surgir muito rapidamente uma situação em que não teremos com quem negociar”, acrescentou.

Putin também acusou os europeus de dificultarem os esforços da administração dos EUA e de Donald Trump para alcançar um acordo de paz através de negociações, e descreveu ataques recentes a navios-tanque russos como “pirataria”, advertindo que a Rússia vai intensificar os ataques a portos e embarcações ucranianas em resposta.

Quanto ao plano de paz em discussão, ainda pouco se sabe sobre a versão atual, considerada uma versão “reduzida” do polémico plano de 28 pontos. Zelensky destacou que: “Não estava preparado para revelar os detalhes e todos devem esperar pelo resultado das negociações em Moscovo”.

Alguns pontos do plano anterior, como amnistia para crimes de guerra e reconhecimento de territórios ocupados, podem ter sido alterados, mas ainda não há confirmação. Zelensky insiste que os ativos russos congelados sejam usados para apoiar a Ucrânia, uma posição que diverge das tentativas de Washington de reintegrar a economia russa. Especialistas acreditam que o documento que Witkoff e Kushner têm nas mãos é um híbrido simplificado das visões concorrentes, deixando as questões mais difíceis — território, relações futuras com a NATO, e tamanho do exército ucraniano — para os líderes discutirem diretamente, se e quando decidirem reunir-se.

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