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Para quem visita uma feira medieval, as armaduras, espadas e escudos parecem fazer parte de um mesmo universo. No entanto, existem duas realidades distintas: a recriação histórica, que procura reproduzir com o máximo rigor a vida e os costumes e simular os combates de outras épocas, e o combate medieval desportivo, uma modalidade de contacto total que tem vindo a crescer em Portugal e que é conhecida internacionalmente como buhurt.
Atualmente, o país conta com seis equipas de combate medieval, reunidas na Associação Portuguesa de Combate Medieval (APCOM), criada em 2025 para organizar e promover a modalidade a nível nacional. Os clubes estão distribuídos por várias regiões do país: dois na zona do Porto, dois em Loures, um na Margem Sul e outro em Óbidos.
As equipas que integram a associação são: Serra Red Lions, Companhia do Punho de Ferro, Cavaleiros da Torre, Armis Nostrum, Portvcale e GEMAC – Grupo de Esgrima Medieval e Artes de Combate. Nos últimos anos, têm participado em demonstrações e torneios nacionais — Carrazeda de Ansiães, Pirescoxe (Santa Iria de Azóia, Loures), Dois Portos (Torres Vedras) e Caldas da Rainha (Feira Militaris) — e competições internacionais, contribuindo para o crescimento de uma modalidade ainda pouco conhecida do grande público.
Ao contrário das lutas encenadas que habitualmente se veem nas feiras medievais, o combate medieval é uma modalidade desportiva regulamentada, disputada com armaduras completas e réplicas de armas sem fio nem ponta. Os combates podem ser individuais, em modalidades como espada e escudo, espada longa ou arma de haste, ou coletivos, chegando a envolver cinco contra cinco, 12 contra 12 e até dezenas de combatentes em simultâneo. As armaduras rondam os 30 quilogramas e todo o equipamento obedece a normas internacionais de segurança.
Além do desporto, a recriação histórica
Mas o universo medieval em Portugal vai muito além do combate competitivo. Existem dezenas de grupos de recriação histórica espalhados pelo país, dedicados a representar diferentes períodos da História. Alguns recriam o quotidiano medieval, outros centram-se na época romana, nos Descobrimentos ou nas invasões napoleónicas.
Entre os grupos encontram-se a Associação Portuguesa de Recriação Histórica (APRH), as Guildas Áureas, a Vita Mercenari, a Thomar Honoris, a Ilustre Cruzada, a Velha Lamparina, a Espada Lusitana e os Cavaleiros e Falcoeiros do Ribadouro, associações e grupos que participam regularmente em mercados e feiras históricas, recriações de batalhas, acampamentos militares, demonstrações de ofícios antigos, tiro com arco e falcoaria.
Embora não exista um número oficial de praticantes, o movimento da recriação histórica tem vindo a crescer de forma consistente nas últimas décadas, mobilizando centenas de participantes em eventos organizados por municípios, castelos e monumentos nacionais.
Durante o verão, quando dezenas de feiras medievais atraem milhares de visitantes, estes dois mundos cruzam-se frequentemente. Enquanto os grupos de recriação procuram mostrar como era viver na Idade Média, os praticantes de combate medieval entram na liça para disputar verdadeiros combates desportivos. O resultado é um espetáculo que alia património, história e desporto, contribuindo para despertar o interesse por um dos períodos mais marcantes da história de Portugal.
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