Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt
A possibilidade de um entendimento entre os Estados Unidos e o Irão para reduzir a tensão no Estreito de Ormuz está a ser acompanhada de perto pelos mercados internacionais, numa altura em que a instabilidade naquela rota marítima continua a alimentar receios sobre o abastecimento mundial de energia.
Embora responsáveis norte-americanos tenham admitido que poderá ser alcançado um acordo para normalizar a circulação no estreito, o Governo iraniano garante que não mantém negociações diretas com Washington, insistindo que os contactos decorrem através da mediação de Omã.
Para o economista João Duque, professor do ISEG, um eventual entendimento representaria uma notícia positiva, sobretudo para os países europeus.
"A Europa continua bastante dependente das importações de energia. Qualquer redução da instabilidade numa zona tão estratégica como o Estreito de Ormuz tende a diminuir a pressão sobre os preços do petróleo e do gás, beneficiando empresas, consumidores e a própria economia", disse à TSF.
O especialista explica que a simples expectativa de um acordo pode influenciar os mercados financeiros, mas alerta que a reação dependerá da confiança dos investidores na estabilidade da região.
"Os mercados valorizam previsibilidade. Se houver garantias de que o tráfego marítimo poderá decorrer sem interrupções, isso ajudará a reduzir a volatilidade dos preços da energia. Mas qualquer novo incidente poderá inverter rapidamente essa tendência", afirmou.
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas de transporte de petróleo e gás natural do mundo. Todos os dias atravessam aquele corredor marítimo milhões de barris de crude provenientes dos principais produtores do Golfo Pérsico, tornando-o essencial para o abastecimento energético global.
Nas últimas semanas, o agravamento das tensões militares voltou a levantar preocupações quanto à segurança da navegação e ao impacto que um eventual bloqueio poderia ter na economia mundial. Para João Duque, qualquer solução diplomática que garanta a livre circulação naquela zona será recebida com alívio pelos mercados.
"Mais do que um acordo político, o que está em causa é a estabilidade do comércio internacional. Para economias importadoras de energia, como as europeias, uma normalização em Ormuz representa menor pressão inflacionista e maior previsibilidade para empresas e famílias", disse.
Caso se concretize, um entendimento entre Washington e Teerão poderá contribuir para estabilizar os mercados energéticos internacionais, numa altura em que a Europa continua a procurar reduzir a vulnerabilidade face às oscilações nos preços do petróleo e do gás.
___
A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil
Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.
Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.
Comentários