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Como resposta à ofensiva o Irão lançou mísseis e drones contra bases norte-americanas e alvos israelitas na região, mas a reação mais significativa para os mercados foi a perturbação do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, um ponto estratégico pelo qual passa cerca de 20% do petróleo mundial e grandes volumes de gás natural liquefeito, especialmente para os mercados asiáticos. Embora não tenha sido anunciado um bloqueio oficial, na prática o fluxo de navios pelo estreito foi interrompido, com várias empresas de transporte marítimo, como a Hapag-Lloyd e a CMA CGM, a suspenderem as passagens pelo canal após receberem avisos da Guarda Revolucionária iraniana.

O Estreito de Ormuz, com 33 km de largura no ponto mais estreito, é vital para o comércio global de energia. As rotas navegáveis para superpetroleiros têm apenas cerca de 3 km de largura em cada direção e passam sob controlo do Irão, que dispõe de mísseis costeiros anti-navio, drones, lanchas armadas e capacidade para lançar minas navais, tornando qualquer travessia perigosa mesmo sem um bloqueio formal. Cerca de 20 milhões de barris de petróleo passam diariamente pelo estreito, representando aproximadamente um quinto da produção mundial, e quase todo o gás natural liquefeito do Qatar utiliza esta rota. O Irão detém ainda as quartas maiores reservas de petróleo do mundo e exporta a maior parte da sua produção, cerca de 4,5 milhões de barris por dia, principalmente para a China.

A reação imediata dos mercados foi previsível: o preço do petróleo disparou, com o Brent a atingir os 82,37 dólares e o WTI a 75,33 dólares, enquanto o ouro valorizou e os futuros bolsistas recuaram. Analistas sublinham que a volatilidade inicial é muitas vezes emocional, mas o impacto real depende da duração do choque energético. Historicamente, as crises geopolíticas só afetam de forma significativa os mercados quando conduzem a uma inflação persistente que obriga os bancos centrais a manter uma política monetária restritiva. A Europa é particularmente vulnerável, dado que depende do fornecimento de energia do Golfo Pérsico para a estabilidade industrial e para o custo do gás e da eletricidade, enquanto os Estados Unidos, sendo grandes produtores de petróleo e gás, sentem mais efeitos inflacionistas do que estruturais.

Em comunicado enviado às redações, a corretora Freedom24 refere destaca a evolução da guerra moderna que não beneficia apenas os fabricantes tradicionais de armamento, mas cria procura por tecnologia, cibersegurança, análise de dados, satélites e infraestruturas energéticas. A despesa em defesa já não se concentra apenas em equipamento militar, mas num ecossistema tecnológico e energético mais amplo. Por outro lado, setores como companhias aéreas, consumo e empresas de menor capitalização enfrentam vulnerabilidades face à subida dos preços da energia e à rotação para ativos mais defensivos.

E aponta três cenários principais: uma resolução rápida, em que a tensão diminui em semanas e os mercados se estabilizam; uma escalada prolongada, em que o petróleo sobe acima dos 100 dólares, aumentando a inflação e pressionando a economia europeia; e uma mudança interna no Irão, que poderia alterar o equilíbrio energético regional e a dinâmica de preços a médio prazo. O principal indicador para os investidores não são as manchetes militares, mas o preço do petróleo: se se mantiver abaixo dos 90 dólares, o impacto macroeconómico será limitado; se se mantiver elevado durante meses, o risco de inflação persistente e de taxas de juro elevadas aumenta significativamente.

Para mitigar a escalada de preços, a OPEP+ decidiu aumentar a produção em 206 mil barris por dia a partir de abril, mas este acréscimo representa apenas uma pequena fração do petróleo afetado pelo bloqueio do estreito. Países como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos procuram também rotas alternativas para contornar Ormuz, mas a capacidade é limitada. Analistas alertam que o fator decisivo para os preços será a duração do conflito e o impacto sobre a infraestrutura energética regional, mais do que a produção adicional da OPEP+.

Portugal, por sua vez, está menos exposto, uma vez que cerca de 70% da eletricidade é produzida a partir de fontes renováveis e o país dispõe de reservas energéticas para 93 dias de consumo, não dependendo diretamente do estreito de Ormuz para a sua importação de energia.

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