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Organizações que têm mais mulheres em cargos sénior demonstram uma tendência significativamente maior para despedir homens acusados de abuso sexual ou físico contra colegas, revela uma análise recente de dados internacionais e do Reino Unido, realizada pelo Institute for Fiscal Studies (IFS). Por outro lado, empresas geridas predominantemente por homens mostram maior probabilidade de ver a vítima de abuso abandonar a empresa.
Segundo o The Guardian, o estudo, baseado em múltiplas pesquisas robustas, inclui dados de um estudo finlandês que concluiu que homens eram mais frequentemente despedidos por agredir um colega masculino do que uma colega feminina. A análise do IFS refere que organizações com uma proporção acima da média de mulheres em posições de elevado rendimento têm “uma probabilidade significativamente maior de despedir os perpetradores”, enquanto organizações masculinas tendem a criar um ambiente onde a vítima sente necessidade de sair.
Segundo o IFS, mulheres que sofrem abuso sexual ou físico no local de trabalho enfrentam consequências graves para a sua carreira, incluindo perda de emprego, redução de horas e diminuição de rendimento. Um estudo citado revela que mulheres que vivem com um parceiro abusivo registam uma queda média de 12% nos seus ganhos, perdas que persistem mesmo após o fim da relação, evidenciando um impacto duradouro na integração no mercado de trabalho e progressão profissional.
A investigação finlandesa sobre violência sexual mostra ainda que mulheres que relatam violação sofrem impactos económicos significativos e duradouros, ganhando em média 17% menos cinco anos após o ataque – uma redução superior aos 13% de perda de rendimento associada a um ano de prisão nos Estados Unidos. No entanto, os dados indicam que em regiões onde mais denúncias de violação resultam em processos judiciais, o impacto económico sobre as vítimas é menor, sugerindo a importância de respostas formais e eficazes da justiça.
A análise do IFS incluiu ainda estudos recentes do Reino Unido que identificam a relação entre desemprego feminino e risco de abuso doméstico, evidenciando que “a dependência financeira aumenta a vulnerabilidade e demonstra os efeitos que as condições económicas – e políticas económicas – podem ter sobre a violência baseada no género”.
O estudo avaliou também o impacto da ação policial sobre os resultados para vítimas de violência doméstica, concluindo que “a detenção tem um efeito dissuasor forte sobre potenciais ofensores”, sugerindo que “reduzir o limiar para prisões poderia diminuir a violência doméstica”.
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