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Suspenso desde setembro de 2025 para avaliação e reestruturação, o cheque-psicólogo prepara-se para regressar com alterações. A principal novidade passa pelo alargamento do universo de beneficiários, que deixará de incluir apenas estudantes do ensino superior para abranger uma faixa mais ampla de adolescentes e jovens adultos.
A medida será integrada no programa Cuida-te, gerido pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), estando a sua reativação prevista para este mês.
Contactado pelo 24notícias, o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto confirmou que a nova edição da iniciativa se encontra "em fase de preparação", no âmbito de um processo de revisão destinado a reforçar a "eficácia e a adequação da medida às necessidades dos jovens".
"Está a ser realizada uma avaliação da edição anterior, incluindo a análise dos níveis de adesão e utilização da medida. Neste contexto, os dados relativos ao número de cheques atribuídos e ao perfil dos beneficiários estão ainda em consolidação", indicou o ministério.
A tutela acrescenta que os "moldes de funcionamento, ao calendário de implementação e ao enquadramento financeiro da próxima edição encontram-se em definição, sendo essas informações divulgadas oportunamente".
O Governo já tinha anunciado que o programa seria reativado durante o primeiro semestre de 2026, depois de ter sido suspenso para avaliação. Agora, o ministério refere que o trabalho está a ser desenvolvido em articulação entre diferentes áreas governativas, com o objetivo de aumentar a capacidade de resposta e a abrangência da medida.
Em paralelo, está a decorrer uma avaliação técnica da edição anterior, que inclui a análise da adesão ao programa e dos mecanismos de acesso, procurando identificar oportunidades de melhoria e simplificação dos procedimentos.
Desde o lançamento, o cheque-psicólogo enfrentou várias críticas por parte de entidades ligadas à saúde mental no ensino superior.
A Rede de Serviços de Apoio Psicológico no Ensino Superior (RESAPES) apontou critérios de acesso demasiado restritivos, que excluíam estudantes com determinadas perturbações mentais ou histórico de tentativas de suicídio, bem como a limitação do número de consultas disponíveis e a ausência de garantias de encaminhamento para os casos mais graves.
Durante a implementação da medida, surgiram também dificuldades práticas. Segundo informação recolhida pelo Expresso, vários estudantes realizaram as duas consultas iniciais de avaliação, mas acabaram excluídos por não cumprirem os critérios definidos.
Foram igualmente registados atrasos entre os pedidos e a marcação das consultas, dificuldades na identificação de psicólogos disponíveis na bolsa de prestadores e um número significativo de cheques atribuídos que nunca chegaram a ser utilizados.
Outra das limitações apontadas foi o número reduzido de consultas comparticipadas, que obrigava alguns jovens a interromper o acompanhamento ou a procurar novos profissionais, reiniciando o processo terapêutico.
Até 30 de setembro de 2025, o cheque-psicólogo tinha recebido 12.397 pedidos de acesso por parte de estudantes do ensino superior.
Segundo os dados divulgados, foram atribuídos mais de 40 mil cheques e realizadas 18.997 consultas de psicologia ao abrigo da medida.
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