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Os advogados dos magnatas da Internet, Elon Musk e Sam Altman, prepararam terreno para o caso histórico que procura determinar se a OpenAI, a empresa por detrás do ChatGPT, foi fundada numa mentira. O objetivo é saber se a missão declarada da empresa — liderar o desenvolvimento da IA ​​para o bem comum — era verdadeira ou "um grande golpe" para enriquecerem à custa de uma estratégia enganadora.

Musk testemunhou durante várias horas no tribunal federal de Oakland esta terça-feira (Portugal está oito horas adiantado em relação aos EUA): "Vão complicar imenso este processo, mas é muito simples: não é correto roubar uma instituição sem fins lucrativos".

A partir daí, ficou claro o rumo do seu depoimento. Musk defende que, quando decidiu investir na OpenAI, pioneira no desenvolvimento de inteligência artificial, em 2015, estava a investir numa entidade que transcendia o lucro e procurava o bem comum. Por isso, em 2024, processou os co-fundadores da OpenAI, Sam Altman e Greg Brockman, bem como a nova parceira da empresa, a Microsoft, para exigir o regresso ao espírito filantrópico e, de caminho, uma indemnização de 150 mil milhões de dólares (cerca de 128 mil milhões de euros ao câmbio actual), que, garante, será doada a instituições de caridade.

O homem mais rico do mundo descreveu a sua carreira, dentro e fora da OpenAI, onde diz ter participado ativamente em todos os aspetos, desde a sua criação, como alternativa à Google, à contratação de funcionários, passando pela angariação de financiadores.

Do lado oposto, a história é outra: Musk "não conseguiu o que queria" e tudo isto não passa de "um processo por assédio". E-mails de 2015 e 2017 — Musk deixou a empresa em 2018 — mostram como concordou com Greg Brockman, co-fundador e atual presidente da tecnológica, em transformar a OpenAI numa organização com fins lucrativos.

Os advogados de Sam Altman dizem que o comportamento do CEO da Tesla é esquizofrénico e alterna entre pressionar a OpenAI para os lucros e preocupar-se com o seu estatuto de organização sem fins lucrativos — só depois do lançamento da concorrente xAI, em 2023. "Como é um concorrente, fará tudo o que puder para atacar a OpenAI".

O CEO da SpaceX acredita que a IA irá em breve ultrapassar as capacidades técnicas humanas e diz acredita que Sam Altman, agora seu arqui-inimigo, não está a ser suficientemente cauteloso em relação aos riscos significativos desta tecnologia. "Pode matar-nos a todos. Não queremos que se transformem em "'Exterminadores Implacáveis'".

Elon Musk deverá concluir o seu depoimento hoje, e Jared Birchall, executivo da xAI e da Neuralink, além de administrador do património de Musk, será a testemunha seguinte. O tribunal terá ainda de ouvir muitas outras versões, de Sam Altman a Greg Brockman, passando pelo CEO da Microsoft, Satya Nadella, ou Tasha McCauley, a engenheira de robótica que fez parte do conselho da empresa e participou na tentativa de destituir Sam Altman, em 2023. O júri, composto por nove pessoas escolhidas pelo juiz Rogers, terá ainda muito a considerar.

Elon Musk deixou a OpenAI depois de um desentendimento e processou a empresa, avaliada em mais de 800 mil milhões de dólares (cerca de 684 mil milhões de euros), em 2024.

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