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A Bulgária, o Estado-membro mais pobre da União Europeia, realizou oito eleições desde 2021, na sequência de protestos anticorrupção que derrubaram o governo conservador do antigo primeiro-ministro e líder pró-europeu Boyko Borissov.

De acordo com os resultados oficiais com 91,68% dos votos contados, a coligação liderada por Rumen Radev, Progressiva Bulgária, obteve 44,69% dos votos, o equivalente a mais de 1,3 milhões de eleitores, projetando-se para conseguir 129 lugares no parlamento de 240 deputados, uma maioria absoluta inédita no país desde 1997.

Os resultados indicam ainda que cinco forças políticas deverão entrar no 52.º Parlamento búlgaro. Em segundo lugar surge a coligação GERB-SDS, com 13,39%, seguida da aliança “Continuamos a Mudança – Bulgária Democrática”, com 13,21%. O partido DPS assegura o quarto lugar com pouco mais de 6% dos votos.

A última força a ultrapassar a barreira dos 4% necessários para entrar no Parlamento é o partido nacionalista “Vazrazhdane”, que regista 4,35% dos votos.

Num discurso em Sófia, capital Búlgara, Rumen Radev declarou que o resultado representa “uma vitória da esperança sobre a desconfiança, da liberdade sobre o medo”, prometendo que a Bulgária continuará “no seu caminho europeu”.

O antigo general da força aérea, que se demitiu da presidência no início deste ano após nove anos no cargo, afirmou ainda que o país precisa de “pensamento crítico e pragmatismo”, defendendo uma Europa mais realista face às dinâmicas globais.

Rumen Radev tem centrado a sua campanha na luta contra a corrupção e na promessa de pôr fim ao que descreve como um “modelo de governação oligárquico” na Bulgária, país com cerca de 6,5 milhões de habitantes.

Apesar da maioria, analistas alertam que a governação poderá não ser simples. Para reformas estruturais no sistema judicial ou alterações constitucionais, será necessária uma maioria de dois terços, o que obrigará Rumen Radev a procurar alianças parlamentares.

O cientista político Teodor Slavev, citado pelo France24, sublinha que o verdadeiro teste será a capacidade do novo poder em avançar com medidas concretas contra a corrupção de alto nível.

Por outro lado, o académico Daniel Smilov alerta para possíveis pressões internas e externas para uma orientação mais eurocética, embora Rumen Radev tenha dado sinais de manter uma linha pró-europeia.

Antes das eleições, o antigo presidente defendeu relações “pragmáticas” com a Rússia e criticou acordos de defesa recentes entre a Bulgária e a Ucrânia, embora tenha afirmado que não bloqueará decisões da União Europeia.

A taxa de participação manteve-se baixa, com apenas 39% dos eleitores a votarem, refletindo a crescente desconfiança na classe política. Em várias zonas do país, houve também denúncias de compra de votos, levando a operações policiais que resultaram na apreensão de mais de um milhão de euros e na detenção de centenas de pessoas.

Enquanto isso, o antigo primeiro-ministro Boyko Borissov reconheceu a vitória de Radev, mas sublinhou que “ganhar eleições é uma coisa, governar é outra”, deixando no ar a incerteza sobre a estabilidade futura do país.

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