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"Ele é meu amigo, e ninguém me diz o que lhe devemos vender", disse Donald Trump a propósito do homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, falando aos jornalistas a bordo do avião presidencial a caminho de Michigan. O chefe de Estado norte-americano observou que "a Turquia não é grande fã de Israel nem de Bibi", referindo-se à alcunha do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e sublinhou que Ancara é um "grande aliado" dos Estados Unidos.

Durante a cimeira da NATO realizada no início deste mês na capital turca, Trump confirmou que está a considerar a venda de caças F-35 à Turquia e o levantamento do veto imposto desde que Ancara adquiriu os sistemas antimíssil russos S-400 em 2017. Israel manifestou oposição a esta possível venda, argumentando que ia alterar o equilíbrio militar no Médio Oriente e pôr em perigo a superioridade aérea israelita.

Trump vai receber Netanyahu na Casa Branca na terça-feira e espera-se que o encontro se concentre no conflito com o Irão, iniciado pelos dois países em 28 de fevereiro, e nos esforços de Washington para chegar a um acordo com Teerão.

Nas declarações a bordo do "Air Force One", Donald Trump reconheceu ter "pequenas diferenças" com Netanyahu sobre o desenvolvimento da guerra no Médio Oriente, ainda que ressalve que ambos continuam "muito próximos" nas suas posições.

Há meses que Trump procura um acordo com Teerão para pôr fim a uma guerra impopular entre o eleitorado norte-americano e que fez disparar os preços dos bens petrolíferos, enquanto Netanyahu teme que um pacto entre Washington e a República Islâmica fortaleça o principal país rival na região. Embora Trump tenha elogiado publicamente o líder israelita, que descreveu como "um primeiro-ministro em tempo de guerra", também admitiu tê-lo chamado de "doido" durante uma tensa conversa telefónica em junho passado sobre os ataques de Israel no Líbano, que ameaçavam um entendimento com Teerão.

Será o oitavo encontro de ambos desde que o Trump regressou à Casa Branca, em janeiro do ano passado. A última reunião de ambos decorreu em fevereiro na Sala Oval, antes do início da ofensiva militar contra o Irão.

Antes, o presidente norte-americano disse que as negociações com o Irão têm "boas hipóteses" de produzir resultados, após uma suspensão de vários dias consecutivos de ataques contra a República Islâmica.

O Irão avisou, no entanto, não estar envolvido em quaisquer negociações com os Estados Unidos, apesar da recente cessação das hostilidades entre os dois países e dos relatos de contactos dos países mediadores do Médio Oriente com a diplomacia de Teerão.

Se as negociações falharem, o líder norte-americano insistiu na ameaça de que as forças de Washington vão retomar os ataques aéreos.

Antes de se pronunciar no avião presidencial, Trump tinha afirmado, durante uma entrevista ao portal norte-americano Axios, que ordenou a suspensão dos bombardeamentos contra o Irão para dar mais uma possibilidade às negociações de paz. "Estamos em negociações muito profundas com o Irão. Se não resultarem, voltaremos a tomar medidas militares muito fortes", advertiu durante a entrevista.

Questionado sobre o prazo que está disposto a dedicar à diplomacia, respondeu: "Não muito tempo. Ou avança depressa ou não avança de todo".

O líder norte-americano disse ter concordado na passada sexta-feira com a suspensão dos ataques contra a República Islâmica a pedido dos aliados no Médio Oriente, que estão a mediar o conflito.

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