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O fenómeno El Niño está a intensificar-se no Pacífico equatorial, segundo a atualização do Índice de Oscilação El Niño divulgada pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

De acordo com o Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (CPC/NOAA), dos Estados Unidos, a temperatura da superfície do oceano na região Niño3.4 registou uma anomalia média de +1,0 ºC entre maio e julho. Na última semana, o valor médio da temperatura nessa região situava-se já cerca de +1,8 ºC acima do normal.

A circulação atmosférica observada no Pacífico equatorial é também coincidente com um episódio de El Niño.

O IPMA recorda que, em episódios anteriores de El Niño intenso, foram igualmente registados valores elevados de anomalia da temperatura da superfície do mar entre maio e julho na região Niño3.4. Em 2015, a anomalia foi de +1,03 ºC, enquanto em 1997 atingiu +1,34 ºC e, em 1982, +0,82 ºC.

A Organização Meteorológica Mundial (WMO) corrobora a informação da NOAA e salienta que, perante a forte possibilidade de evolução para uma intensidade forte do fenómeno, poderão aumentar os riscos de ocorrência de eventos climáticos extremos em várias regiões do planeta, sobretudo nas faixas tropical e equatorial.

Entre os possíveis impactos estão ondas de calor, episódios de seca e eventos de precipitação intensa, principalmente na faixa equatorial do planeta.

Fenómeno deverá manter-se até 2027

As projeções atuais do modelo de previsão sazonal da NOAA indicam uma probabilidade superior a 97% de permanência de condições de El Niño até ao início da primavera de 2027.

Ao mesmo tempo, segundo o NOAA/NCEP, a probabilidade de o episódio se tornar muito forte até ao final de 2026 é atualmente de cerca de 95%.

As projeções de vários modelos de previsão sazonal apontam ainda para uma intensificação significativa das anomalias da temperatura das águas superficiais na região Niño3.4 durante os próximos meses, com um pico previsto para o final de 2026.

Apesar desta tendência, as projeções mais recentes começam a sugerir uma possível desintensificação do fenómeno a partir do início de 2027. O IPMA sublinha, contudo, que esta evolução deve ser interpretada com cautela, uma vez que as previsões sazonais apresentam níveis consideráveis de incerteza, sobretudo para horizontes temporais mais longos.

A magnitude do pico e a rapidez da posterior desintensificação do fenómeno permanecem, por isso, incertas.

A previsão sazonal do C3S/ECMWF, inicializada em agosto de 2026, aponta para a persistência de anomalias positivas da temperatura da superfície do mar na região Niño3.4 até fevereiro de 2027.

A mediana do conjunto de previsões indica um reforço gradual das anomalias nos meses seguintes, com os valores mais elevados no final do outono de 2026, seguindo-se um enfraquecimento progressivo, embora os valores devam permanecer positivos até ao início de 2027. A dispersão entre os diferentes elementos do conjunto de previsões aumenta, contudo, com o horizonte temporal, refletindo uma maior incerteza.

Influência em Portugal é indireta

Em Portugal Continental, a influência do fenómeno El Niño é indireta e menos significativa do que noutras regiões do planeta, como a América do Sul ou a Austrália.

Segundo o IPMA, alguns estudos indicam que o principal mecanismo de ligação passa pela Oscilação do Atlântico Norte (NAO), que condiciona os indicadores climáticos relacionados com a precipitação e a temperatura do ar na Península Ibérica, sobretudo durante o inverno do Hemisfério Norte.

O ENSO, ou El Niño-Southern Oscillation, é um padrão climático natural que resulta da interação entre o oceano e a atmosfera no Oceano Pacífico tropical. O fenómeno alterna entre fases mais quentes, associadas ao El Niño, mais frias, associadas à La Niña, e fases neutras, influenciando a precipitação, a temperatura e a circulação atmosférica em algumas regiões do planeta, principalmente nas faixas tropical e equatorial.

O El Niño corresponde à fase positiva do ENSO e caracteriza-se pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial Central e Oriental. A La Niña, por sua vez, corresponde à fase negativa e caracteriza-se pelo arrefecimento anormal dessas águas.

Os padrões de precipitação e temperatura associados a episódios anteriores de El Niño permitem identificar os impactos mais esperados no planeta, mas o IPMA salienta que esses efeitos não significam que venham necessariamente a ocorrer nos próximos meses.

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