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Num artigo de opinião publicado no jornal Público, onde é cronista, o historiador Pacheco Pereira reage às críticas que surgiram após o debate que protagonizou com André Ventura, rejeitando a ideia de que esse tipo de confronto não deveria ter lugar. Para o autor, ignorar o fenómeno ou evitar o debate “dá sempre torto”, evocando exemplos históricos como a ascensão do fascismo nos anos 30 ou o crescimento da extrema-direita em países como França.

O debate realizou-se na segunda-feira, 13 de abril, depois de ter sido proposto pelo próprio no programa O Princípio da Incerteza, da CNN Portugal. Em causa esteve uma afirmação de André Ventura, proferida na sessão solene dos 50 anos da Constituição de 1976, segundo a qual “pouco tempo depois do 25 de Abril havia mais presos políticos do que havia antes do 25 de Abril de 1974”.

No que toca a Ventura, devíamos todos ser RAP?
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No texto, Pacheco Pereira sustenta que o confronto direto faz sentido numa fase de crescimento de movimentos que considera hostis à democracia, como entende ser o caso em Portugal. O Chega, escreve, “é o segundo partido parlamentar” e tem vindo a reforçar a sua presença em autarquias e instituições, assumindo-se como uma força central no atual panorama político. Destaca ainda a influência do partido na agenda mediática e o uso eficaz das redes sociais e da provocação como ferramentas de mobilização.

Segundo o antigo dirigente do PSD, deixar o partido sem contraditório fora do Parlamento contribui para o seu fortalecimento. “Quanto mais estiver sozinho em todos estes terrenos, mais se fortalece”, alerta, defendendo que o confronto direto, mesmo quando assume um caráter “espectacular”, é essencial para expor contradições e mobilizar a opinião pública.

O historiador critica também setores da esquerda que, na sua perspetiva, evitam esse confronto por “medo, comodismo ou snobismo”. Argumenta que existe receio de enfrentar discursos marcados pela agressividade e pela violência verbal, bem como uma preocupação com a imagem pública que leva a evitar o debate direto.

Reconhecendo que esse confronto tem custos, nomeadamente a exposição a insultos e ataques nas redes sociais, considera, ainda assim, que se trata de “um preço inevitável”. Acrescenta que a atual “ecologia comunicacional” potencia a disseminação de desinformação e discursos radicais, tornando mais urgente o envolvimento ativo no debate público.

Para Pacheco Pereira, a alternativa, manter distância e esperar por um ambiente mais “civilizado”, acaba por favorecer o crescimento dessas forças. “Face a eles não se pode ficar em casa, cómodo e confortável”, conclui, contrariando a ideia de que o confronto beneficia o adversário.

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