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O ministro começou por dizer lamenta que o partido socialista comente as declarações de um ministro "sem ouvir totalmente as declarações". Sublinha assim que "É totalmente falso" que tenha dito que as residências universitárias se degradam quando usadas apenas pelos mais pobres.

"Aquilo que eu disse na minha intervenção é que é essencial para a qualidade dos serviços públicos que nós possamos ter todos os estratos sócio-económicos", refere e sublinha que fala enquanto antigo bolseiro de ação social da Universidade de Coimbra.

Sobre a questão das pessoas com baixos rendimentos aponta que é a "essência da democracia" que os serviços públicos sejam usados por todas as classes sociais e por todas as famílias de todo o tipo de rendimentos e "temos de ser exigentes" no que diz respeito à qualidade.

Recorde-se que o PS exigiu hoje ao ministro da Educação que retifique declarações "preconceituosas e discriminatórias" que proferiu sobre alunos de famílias com mais baixos rendimentos, caso contrário deixará de ter condições para estar no Governo.

"Se o senhor ministro não retificar o que disse, se não reconhecer que cometeu um erro grave, discriminatório, preconceituoso face às famílias com rendimentos mais baixos, deixou de ter condições de ser ministro da Educação. Portugal merece ter um ministro da Educação para todos os portugueses", declarou Eurico Brilhante Dias no parlamento esta tarde.

"Deve retificar. Se não o fizer, não está à altura de ser ministro da Educação do país. Não há outro caminho. Se não retificar, não tem condições para continuar a ser ministro da Educação do Governo de Portugal", reforçou.

Já o PCP anunciou que vai requerer a audição urgente do ministro da Educação no parlamento e o Livre condenou as declarações "estigmatizantes" de Fernando Alexandre, que associou a degradação de residências universitárias a alunos com menores rendimentos.

O ministro sublinhou à RTP que a interpretação das suas palavras foi "totalmente falsa" e o que disse é que "quando um serviço público é usado apenas por pessoas que não têm voz porque são de rendimentos mais baixos, por razões de gestão, o serviço se degrada".

Pediu ainda para ouvirem as declarações que foram transmitidas online, as quais promete partilhar um link, e assim as pessoas ficarem esclarecidas. Prometeu também que irá ao parlamento esclarecer as declarações como foi pedido pelos partidos.

Lembra-se que esta tarde Fernando Alexandre falava durante a cerimónia de apresentação do novo modelo de ação social para o ensino superior, onde alertou para o risco de degradação das infraestruturas. “Vamos ter residências todas renovadas, que daqui a cinco anos vão estar todas degradadas”, afirmou.

Ministro diz que residências universitárias se degradam quando são usadas apenas por alunos mais pobres
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Segundo disse o governante na altura, essa degradação está relacionada com o perfil dos utilizadores: “É por colocar na residência universitária os estudantes dos meios mais desfavorecidos que se degradam”, acrescentando que “o que vai acontecer às residências depende das universidades e politécnicos, mas também depende dos estudantes”.

O ministro revelou que, no início do mês, apresentou aos reitores, presidentes dos institutos politécnicos e representantes dos estudantes uma proposta que previa a atribuição do mesmo valor de apoio ao alojamento a todos os estudantes deslocados numa mesma cidade, independentemente de ficarem numa residência pública ou num quarto no setor privado.

A ideia, explicou, era dar liberdade de escolha aos alunos e acabar com o estigma associado às residências públicas. “As residências académicas devem ser espaços de integração, de bem-estar e de promoção do sucesso escolar, e não, como são atualmente, e foram sempre em Portugal, espaços onde são colocados os alunos de rendimentos mais baixos”, defendeu.

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