Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt

As temperaturas médias ultrapassaram valores históricos em junho, com vários países a registarem máximos absolutos. Entre os mais afetados, a Alemanha ultrapassou os 41,7°C, a França aproximou-se dos 44°C, o Reino Unido superou os 37°C e foram também batidos recordes na Polónia, Áustria, Hungria e República Checa.

O impacto na saúde pública é revelador: as altas temperaturas foram associadas a milhares de mortes em excesso em vários países europeus, sobretudo entre pessoas idosas ou com doenças pré-existentes. As estimativas provisórias apontam para milhares de óbitos relacionados com o calor na Alemanha, França, Espanha e Bélgica.

Em Portugal, registaram-se seis ondas de calor no primeiro semestre de 2026, num total de 59 dias. As temperaturas extremas estiveram associadas a um excesso de 264 mortes em apenas quatro dias e contribuíram para um agravamento significativo do risco de incêndios rurais.

Na Catalunha, esta quarta-feira os termómetros marcam 40 graus Celsius e a protecção civil local anunciou que se trata do "dia mais crítico", com calor e ventos intensos a forma a "tempestade" perfeita.

Perante condições meteorológicas tão extremas, Barcelona decidiu preparar-se para um evento potencialmente devastador: uma vaga de calor acima dos 50 graus Celsius.

O projeto chama-se "Barcelona a 50°C" e foi apresentado pelo presidente da câmara, ​​​​Jaume Collboni, uma estratégia que em fevereiro irá testar a resiliência da cidade a níveis de calor quase incompatíveis com a vida.

Paris realizou uma simulação semelhante em outubro de 2023, para testar como reagiriam os serviços básicos, a saúde e os transportes caso as alterações climáticas atingissem a capital francesa com um calor extremo.

"Hoje, Barcelona está a atingir os 40 graus Celsius, algo que ninguém imaginava há 50 anos. Temos a obrigação de preparar a cidade para os 50 graus", afirmou o autarca citado pelo El País. O presidente da Câmara de Barcelona lembrou ainda que também o calor extremo é uma fonte de desigualdade social.

Antes do simulacro de 2027, serão organizados workshops com as principais empresas e organismos governamentais envolvidos, do sistema elétrico aos transportes públicos, das telecomunicações ao abastecimento de água e instalações de saúde.

Portugal surge frequentemente nos relatórios científicos como um dos países europeus com maior exposição aos efeitos das alterações climáticas e, por isso, dos mais vulneráveis, juntamente com Espanha, Grécia, Itália e outras regiões do sul da Europa.

O facto deve-se sobretudo a três fatores combinados: localização geográfica (extremo sudoeste da Europa e junto à bacia do Mediterrâneo, uma das regiões que aquece mais rapidamente do que a média mundial); elevado risco de incêndios (combinação de calor, seca, vento e características da vegetação); escassez de água (sobretudo no sul do país, agravada pela diminuição da precipitação e pelo aumento da evaporação). Apesar disso, não se conhece até ao momento qualquer ação preventiva — simulacro ou outra — no âmbito das vagas de calor extremo.

___

A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil

Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.

Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.