Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt
A primeira volta das eleições presidenciais ditou a passagem à segunda volta de António José Seguro e André Ventura. 40 anos depois, a decisão volta a decidir-se em dois atos eleitorais.
Após o fecho das urnas e início da noite eleitoral, o 24noticias percorreu uma rota dos “segundos”. Fizemos um périplo pela via direita, com um desvio à esquerda, numa breve visita à Liga dos Últimos.
Um manifestou a vontade de ser primeiro e ser contra o partido do agora primeiro. Os outros, não se sentem donos do seu eleitorado e deixam a decisão nas mãos de quem vai às urnas. Manuel João Vieira, só entorna a balança das decisões se um dos pratos se inclinar para o lado que não quer. E quase todos clamam vitória.
O Hotel Marriot, avenida dos Combatentes, n.º 45, hospedou André Ventura. O Almirante Gouveia e Melo (Hotel Corinthia Lisbon), na avenida Columbano Bordalo Pinheiro, n.º 105 e Luís Marques Mendes (Sana Malhoa), na Avenida Malhoa, n.º8, estavam separados por pouco mais de um quilómetro, mas terminaram a noite a 1% de distância. João Cotrim Figueiredo, preferiu a zona das Amoreiras, o Epic SANA, na avenida Engenheiro Duarte Pacheco, n.º 15.
Antecipadamente fora da corrida, mas dentro de uma corrida muito própria, Manuel João Vieira jantou na Padaria do Povo, na Rua Luís Derouet, 20-A, em Campo de Ourique. E teve honras de entrevista a solo.
“Considero que esta derrota é uma vitória”
Comecemos por esta última “sede” onde estivemos à conversa com Manuel João Vieira. Não subiu a nenhum púlpito (nem havia). Falou sentado à cabeceira de uma das longas mesas que preenchiam uma sala do primeiro andar do espaço fundado em 1904.
“O meu jantar foi uma espécie de comida neo-indiana, neo-goesa, foi xacuti ou vindalho, uma coisa assim”, disse ao 24noticias, dividindo o repasto com os seus apoiantes e amigos reunidos num ambiente festivo e familiar e poucos vestígios de campanha, exceção feita a uns flyers espalhados pelas mesas.
“Fiquei com vontade de comer mais, qualquer coisa diferente, vamos pedir um caril”, manifestou já de talheres postos. Elogiou os bitoques da casa, embora a preferência recaia nos que são servidos do outro lado da rua, na Ferreira Borges, no “O Bitoque”.
Agradeceu a nossa presença e fez o balanço. “Considero que esta derrota é uma vitória. Porque, em primeiro lugar, consegui entrar neste buraquinho tão apertado, que é o buraquinho dos elegíveis”, sublinhou. “E quando se sai do outro lado é um grande alívio”, garantiu. “Estou aliviado e ainda me vou aliviar mais”, prometeu.
“Tinha 850 euros disponíveis para gastar (campanha). Na realidade, não os usei. Daqui a cinco anos, cá estou outra vez, preparado para gastar dois mil euros”, prometeu.
A segunda volta das eleições presidenciais está marcada para 8 de fevereiro. A três semanas do virar da esquina, Manuel João promete “votar num dos dois”, avançou.
Em relação à indicação de votos de quem depositou o boletim na sua candidatura, “acho que darei ou não darei”, tomada de posição que irá variar “consoante à aflição ou não aflição que notar em relação aos candidatos à segunda volta”, sublinhou. “Se for necessário mesmo puxá-los para um determinado lado e vir que isso não vai por si, talvez tenha de ser dar uma política de sério e dizer olha...lembra-se desta: Ele não merece, mas vota PS. Foi com o Soares”, recordou.
Atirou igualmente para a mesa a recordação do sapo engolido pelo Partido Comunista Português na eleição de Mário Soares, em 1986. “Já disse ao Ventura que pintava uma bandeira do Chega com um sapo para afastar os ciganos. Eu pinto”, confessou.
A pintura e a música é a faixa que se segue para o músico (Ena Pá 2000) e artista plástico. “Neste momento e depois destas eleições, vou fazer um período de reflexão, no qual, vou basicamente trabalhar um bocadinho. Também é preciso...”, adiantou. “Isto deu-me algum trabalho intelectual e físico. E agora vou virar-me para o lado do trabalho propriamente e daquilo que dá dinheiro. Tenho de fazer alguns concertos e vender pintura”, despediu-se.
“Não sou dono dos meus votos”
Próxima paragem: era suposto estacionarmos no SANA Malhoa, na “casa” de Marques Mendes, apontado como um dos favoritos a, pelo menos, passagem à segunda volta. Por contingências que escaparam do controlo da agenda, vivemos a experiência pela televisão. E contamos o que vimos e ouvimos da parte final.
Numa das sala, em silêncio desde as primeiras projeções, às 20h00, até à entrada do candidato (21h00), os primeiros aplausos lá aqueceram a plateia. Marques Mendes, antigo comentador televisivo, ex-presidente do PSD e líder da bancada parlamentar social democrata, discursou num palco decorado em tons de azul, pintado com a mensagem de “Marques Mendes presidente 2026”.
Escolha pessoal do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que enviou para o terreno alguns dos ministro do executivo durante a campanha, na unidade hoteleira só o inseparável amigo, Manuel Castro Almeida, dono da pasta da Economia, disse presente ao lado de Marques Mendes e da mulher, Sofia. Para contrabalançar, a AD esteve sentada. Carlos Moedas (CM Lisboa), Paulo Núncio (deputado CDS-PP) e Rui Moreira (ex-presidente da câmara municipal do Porto).
Das palavra escritas num papel, numa curta intervenção, Luís Marques Mendes deixou claro. “Não vou fazer endosso dos votos em mim depositados”, atirou, um recado em linha com Montenegro. Minutos depois, o primeiro-ministro afirmou que os candidatos ao Palácio de Belém não representam o partido, pelo que, usando a mesma expressão, “endosso”, não dará indicação de votos.
Marques Mendes tem “opinião”, não partilhada, diga-se, e garantiu não ser “dono” dos votos “depositados” nas urnas na sua candidatura. “Cada um decidirá na altura própria e de acordo com a consciência”, rematou para uma sala a meio gás escutar.
“Ninguém é dono de ninguém”
O tom morno, e algo fúnebre, da sede do antigo comentador televisivo, contrastou com a alegria do porto onde atracou, a cerca de uma milha de distância, o Almirante Henrique Gouveia e Melo.
“Almirante, amigo, o povo está contigo”, foi o grito de boas-vindas (22h20) ao antigo Chefe do Estado-Maior da Armada e arrancou sorrisos aquele que foi o coordenador da Task Force para o Plano de Vacinação contra a COVID-19 em Portugal.
“Já não para almirante, já não para”, escutou-se, por repetidas vezes, levando Gouveia e Melo a assumir uma postura hirta e firme, atirando os ombros para o painel, também em tons de azul, humanizado com uma fotografia e a tradicional frase eleitoral “Gouveia e Melo Presidente 2026”.
Para o quarto candidato mais votado, as eleições são passado. É tempo de olhar em frente, mas no horizonte, embora se siga três semanas até à decisão, avisou “ser prematuro tomar posição” sobre em quem votar. “Ninguém é dono de ninguém. Sou dono de mim próprio e da minha consciência”, rematou na Sala Floriana 1, piso 1 do luxoso Corinthia Lisbon, antes de receber um cesto de flores com as cores da bandeira portuguesa.
“Não tenciono recomendar voto”
Se a campanha de João Cotrim Figueiredo foi pautada por toques numa bola de futebol, boxe, pinos e dança, não foi surpresa para ninguém os dois momentos musicais, dois clássicos do heavy-metal e rock, à entrada e à saída das salas Morus II, III e IV do Epic SANA Amoreiras.
Thunderstruck (1990), dos AC/DC, adaptado (la, la, la, la ...Cotrim...la, la, la, la...Cotrim), antes da palavra dada ao candidato e Don't Stop Me Now (1979), dos Queen (será um prenúncio para algo), antes de se abraçar aos seus três filhos.
Perante uma plateia jovem, por vezes demais, vestida de forma casual e casacos pendurados no bengaleiro, Cotrim Figueiredo assumiu a “derrota pessoal”, mas esta “não diminuiu a vossa vitória”, exclamou, dirigindo-se à máquina de campanha.
Embora afastados da corrida, o tom foi de festa pela recolha de mais de 900 mil votos num ex-líder partidário (Iniciativa Liberal) que vale mais do que o partido (338 mil nas eleições legislativas 2025).
À frente de um, dos três, enormes plasmas e enquadrado (tons de azul) entre a frase “Imagina Portugal Cotrim Presidente”, lançou farpas ao campo político onde navega. A “provável” eleição de António José Seguro, uma “péssima escolha”, a par de André Ventura, tem um rosto e um nome. “Deve-se a um erro estratégico da liderança do PSD (assobios). Luís Montenegro não pôs o interesse do país à frente do seu partido”, disparou. Mais assobios.
“Não tenciono recomendar voto”, afirmou, reforçando que quem o fez livre na primeira volta “devem fazê-lo na segunda volta”, indicou, perante troca de olhares dos seus apoiantes com idade para colocar a cruz dia 8 de fevereiro.
“Os portugueses deram-nos a liderança dessa direita em Portugal”
Ventura parece talhado para contrariar os ditados populares. Há quem defenda que não se deve voltar aos locais onde a felicidade tocou à porta, mas o rosto do Chega e candidato a presidente da República escolheu, pela terceira vez, o Hotel Marriot, em Lisboa, junto à Universidade Católica, para receber os resultados da noite eleitoral.
Já tinha sido feliz em 2024 (o partido elegeu 50 deputados), em 2025 (alargou para 60). Quer, agora, que ali, no hotel que serve de teto à Champions League – Sporting-PSG e alberga um vasto grupo de hóspedes e hospedeiras dos Emiratos Árabes Unidos - seja o início de um caminho para a felicidade suprema.
No Marriot, casa temporária do Mestre André, circulavam jotinhas vestidos a preceito e senhoras e homens de cachecol e bandeiras do Chega e de Portugal. Se à hora das projeções, os resultados (na altura Ventura e Cotrim estavam colados) foram recebidos com sorrisos tímidos, a chegada (20h45) de Ventura, acompanhado da mulher, em estilo estrela de cinema, serviu de primeira afirmação de poder do candidato.
Nas declarações iniciais identificou o inimigo, “o socialismo”, piscou o olho a todos os que não o são, assume-se como líder da direita e está preparado para fazer uma OPA a essa área política que deve unir-se à sua volta.
O tom foi de festa na hora (23h19) de discursar ao país. Gritos de “Portugal”, “Vitória” e cânticos de “8 de fevereiro, Ventura em primeiro (o candidato respondeu com o dedo indicador espetado)” serviram de combustão ao inflamável líder partidário e candidato que disputará a segunda volta das eleições presidenciais.
Como pano de fundo (branco), André Ventura Presidente 2026 dividia o espaço com a mensagem Portugueses Primeiro. No alto do púlpito, Ventura, sempre sorridente e esbravejante, despejou a receita de sempre, mensagens e temas que seduziram, agora, 1,3 milhões de votos.
No discurso, em tons de vitória, prometeu liderar “o espaço do não-socialismo em Portugal” e criticou, entre apupos escutados, Montenegro e Cotrim Figueiredo.
Num país que “despertou”, André Ventura expressou ao que vai. “A direita fragmentou-se como nunca, mas os portugueses deram-nos a liderança dessa direita em Portugal”, elevou o tom de voz, levando a sala Mediterranean 1 ao êxtase coletivo e aos repetidos gritos de “vitória”.
A disputa da segunda volta será a “maior honra da minha vida”, confessou o candidato, recebendo gritos de “Ventura, Ventura”.
“Quero ver essas bandeiras...somos enormes”, exclamou o speaker de serviço.
Sucederam-se os cânticos como se toda aquela gente estivesse num estádio de futebol. Ventura brada frases fortes e contundentes. “Eu não quero voltar a ver o socialismo em Portugal” ou “o socialismo destrói, mata”. Quem assiste, responde, euforicamente, “Portugal, Portugal” e “Ventura, Ventura...”, escuta-se
Dirigindo-se aos emigrantes portugueses e aos ex-combatentes, falando de segurança e impostos, saúde e mudança não socialista, a quem quer um país “cristão e de valores cristãos” e à obrigatoriedade de “cumprimento das leis” de Portugal por parte das “minorias” abriu novo reportório musical.
“Ventura sente, tens aqui a tua gente” roubou sorrisos ao mestre André e “Portugal é nosso, Portugal é nosso e há-de ser, Portugal é nosso até morrer”, levou-o a retirar do bolso a bandeira portuguesa e elevá-la acima da cabeça nas despedidas. “Portugal, Portugal, Portugal”, arranhavam as gargantas, em festa, para a despedida.
___
A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil
Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.
Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.
Comentários